No Dia Mundial da Alfabetização, estudantes da Ejai compartilham histórias de aprendizagem, autonomia e novas possibilidades
Experiências vividas em sala de aula acompanham os resultados alcançados pela rede municipal na alfabetização em diferentes etapas da vida
Aprender a ler e escrever pode significar coisas diferentes em cada fase da vida. Para alguns, é o primeiro contato com as letras; para outros, representa a oportunidade de retomar um caminho que precisou ser interrompido. Em comum, permanece a possibilidade de conquistar mais autonomia, ampliar horizontes e descobrir novas formas de se relacionar com o mundo.
Na rede pública de ensino de Maceió, histórias como essas fazem parte da rotina da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai), modalidade que atende pessoas com 15 anos ou mais, que não concluíram o Ensino Fundamental na idade regular. Neste Dia Mundial da Alfabetização, celebrado em 8 de setembro, estudantes compartilham como a educação tem transformado suas trajetórias.
Na escola municipal Lindolfo Collor, duas alunas que estão na terceira fase da Ejai encontraram na educação a possibilidade de fazer coisas que antes pareciam difíceis, mas que hoje, fazem parte de suas rotinas.
“Eu me orgulho de mim”
Edileuza Maria Santos nunca havia estudado. Aos 58 anos, decidiu começar porque queria mudar a forma como se comunicava e, principalmente, a maneira como se enxergava. “Eu nunca estudei na minha vida. Então, eu queria me comunicar melhor, queria olhar para mim mesma, não é nem para os outros, é para mim mesma, e dizer que me orgulho de mim.”
Segundo ela, tudo o que sabe hoje veio depois que começou a frequentar a escola. Antes, sabia apenas fazer a própria assinatura. Agora, reconhece o que já conquistou e faz questão de agradecer aos profissionais da unidade pelo incentivo.
O apoio também vem de casa. O filho de Edileuza é quem reforça que ela não deve parar e já pensa nos próximos passos da mãe. Para ela, estar na escola representa uma mudança que consegue perceber quando olha para a própria trajetória. “É um orgulho muito grande poder olhar para trás e dizer assim: eu não sabia nada e hoje eu posso dizer que eu sei tudo”.
Aprendizados que fazem diferença
Para Expedita Santiago, o desejo de estudar também nasceu de uma situação cotidiana. Aos 71 anos, ela queria conseguir escrever mensagens para a filha pelo celular. Outra dificuldade estava nos deslocamentos pela cidade: chegar aos pontos de ônibus e não conseguir identificar, pelos letreiros, qual veículo seguia para o destino onde precisava chegar.
Foi a partir dessas situações que Expedita começou a estudar. Hoje, na terceira fase da Ejai, ela consegue perceber o quanto avançou. “Não tem sensação melhor do que perceber que você conseguiu. Então, é muito importante estar aqui. Muito importante. Já aprendi muitas coisas e estou muito satisfeita”, relata.
Uma rede que amplia o acesso
As histórias de Edleuza e Expedita fazem parte de uma modalidade de ensino, que visa garantir o direito à educação, para pessoas que não tiveram a oportunidade de concluir os estudos na idade regular. Em 2026, a Educação de Jovens, Adultos e Idosos é oferecida em 40 unidades escolares da rede municipal, com 4.840 estudantes matriculados.
Além da formação escolar, os alunos da Ejai também podem participar de cursos de iniciação profissional, realizados em parceria com o Senai, ampliando as oportunidades de qualificação.
Alfabetização em diferentes etapas
O trabalho de alfabetização também é fortalecido nas demais etapas da rede municipal. Por meio do Alfabetiza Maceió, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) desenvolve ações de formação continuada, acompanhamento da aprendizagem, avaliações e estratégias pedagógicas voltadas ao processo de alfabetização.
Os resultados mostram a evolução do município de Maceió nos últimos anos. O percentual de crianças alfabetizadas na idade certa passou de 27,7%, em 2021, para 50% em 2025. No mesmo período, a fluência leitora dos estudantes dos 2º anos da rede pública municipal cresceu 103%.
O avanço também aparece no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o índice passou de 5,3 para 5,6, enquanto nos anos finais avançou de 4,1 para 4,3.
Os indicadores refletem um trabalho que envolve diferentes etapas da educação e estratégias para acompanhar o desenvolvimento dos estudantes. Na outra ponta desse processo, histórias como as dos estudantes da Ejai mostram que a aprendizagem não está ligada a uma idade específica, mas às oportunidades e aos incentivos que permitem a cada pessoa seguir construindo sua trajetória.