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Caso Peterson: perícia comprova que menino foi abusado sexualmente pelo tio-avô, antes de ser morto

Por Assessoria 02/09/2026
Caso Peterson: perícia comprova que menino foi abusado sexualmente pelo tio-avô, antes de ser morto
Peterson Ykaro Gomes Cardoso foi encontrado em terreno baldio em Rio Largo (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Um exame de DNA apontou forte compatibilidade entre o perfil genético do tio-avô denunciado por estuprar e matar Peterson Ykaro Gomes Cardoso, de 6 anos, e o material biológico encontrado nas amostras relacionadas ao caso. A análise, realizada pelo Laboratório de Genética Forense da Polícia Científica de Alagoas, apresentou resultado estatístico que reforça a materialidade do crime de abuso sexual. 

O acusado foi denunciado pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) por estupro de vulnerável e homicídio qualificado, cometido por asfixia, para ocultar outro crime e de forma a dificultar a defesa da vítima. O corpo do menino foi encontrado no dia 6 de julho, no bairro Cidade Universitária, na parte alta de Maceió.

De acordo com o laudo pericial, as análises estatísticas realizadas por meio de modelos probabilísticos apontaram que é 2,67 bilhões de vezes mais provável que a mistura de perfis genéticos identificada na amostra seja composta pelos perfis da vítima e do acusado do que pela vítima e por um segundo indivíduo desconhecido, escolhido aleatoriamente na população brasileira.

Para chegar ao resultado, o perito analisou amostras biológicas de referência e amostras questionadas. Entre os materiais examinados estavam a amostra de referência genética da vítima e o material biológico de referência do acusado, coletado por um perito criminal enquanto ele estava preso na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

“O exame identificou nas amostras questionadas um perfil genético masculino compatível com o perfil do acusado. O resultado, associado às análises estatísticas, fornece um importante elemento científico para a investigação”, afirmou Omena.


Novo reagente amplia capacidade da perícia

A chefe do Laboratório de Genética Forense, perita criminal Bárbara Fonseca, explicou que um dos diferenciais do exame foi a utilização de um novo reagente empregado na separação de células espermáticas e não espermáticas. A técnica permite trabalhar de maneira mais específica com os diferentes componentes celulares presentes em uma mesma amostra biológica.

A separação possibilita uma análise mais direcionada do material coletado e amplia a capacidade de obtenção de perfis genéticos em investigações envolvendo crimes sexuais, especialmente em situações nas quais existe uma mistura de materiais biológicos de diferentes indivíduos.

“A utilização do novo reagente representa um avanço no trabalho desenvolvido pelo Laboratório de Genética Forense e reforça a importância da aplicação de novas metodologias para a produção de provas científicas cada vez mais precisas”, explicou a perita.

O laudo produzido pelo Laboratório de Genética Forense já foi encaminhado à autoridade policial e deverá ser anexado ao processo judicial. A investigação é conduzida pela delegada Talita Aquino, titular da Delegacia de Combate aos Crimes contra a Criança e ao Adolescente (DCCCA).