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Diálogo com a Indústria leva debate sobre economia circular ao Agreste alagoano

Encontro do SENAI Alagoas em Arapiraca discutiu como a gestão de resíduos pode reduzir custos, gerar valor para o setor produtivo e ampliar a competitividade industrial

Por Assessoria 30/10/2026
Diálogo com a Indústria leva debate sobre economia circular ao Agreste alagoano
Diálogo com a Indústria leva debate sobre economia circular ao Agreste alagoano (Foto: Assessoria)

A gestão de resíduos como estratégia de eficiência produtiva e a economia circular como mecanismo de desenvolvimento industrial estiveram no centro da nova edição do Diálogo com a Indústria, realizada nesta quarta-feira (28), no SENAI Agreste Sertão, em Arapiraca.A iniciativa levou ao interior de Alagoas uma discussão fundamental para a atividade industrial do estado, e reuniu conhecimentos especializados sobre alternativas capazes de transformar passivos ambientais em oportunidades de negócio.

Com o tema “Gestão de Resíduos e Economia Circular: transformando desafios ambientais em valor para a indústria”, o encontro teve como palestrante a engenheira ambiental Gleiciane Carvalho Blanc, coordenadora de Consultoria e Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D+I) do Instituto SENAI de Tecnologia em Meio Ambiente e Química, em Curitiba (PR). Blanc destacou a importância de superar a lógica linear de produzir, consumir e descartar, adotando práticas que prolonguem a vida útil dos materiais, reduzam desperdícios e reintegrem resíduos aos processos produtivos.

Na economia circular, o que seria descartado pode retornar à cadeia produtiva como matéria-prima, insumo ou fonte de energia, desde que haja viabilidade técnica, econômica e ambiental. “Para as empresas, isso pode representar menor consumo de recursos naturais, redução de despesas com destinação de resíduos e novas possibilidades de negócios”, enfatiza a palestrante. Mas a mudança exige planejamento, conhecimento técnico e articulação entre indústrias, fornecedores, poder público e prestadores de serviços ambientais.

A dimensão desse desafio acompanha a necessidade de modernização da economia brasileira. Segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), o país gerou cerca de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2022, volume equivalente a aproximadamente 1,04 kg por habitante ao dia. O dado evidencia a escala dos materiais que precisam de destinação adequada e o potencial de ampliar a recuperação de recursos por meio da reciclagem, da reutilização e de outras soluções circulares.

Transição deve considerar particularidades de cada negócio

Com mais de 15 anos de experiência em consultoria, pesquisa e desenvolvimento socioambiental, Gleiciane Blanc atua em áreas como descarbonização, conformidade ambiental industrial, bioeconomia circular, agricultura sustentável e tecnologias em alimentos. Mestra em Engenharia Ambiental, com foco em Atmosfera e Mudanças Globais, também possui experiência em licenciamento, perícia e projetos de inovação industrial.

Na avaliação da especialista, a transição para modelos circulares precisa considerar as oportunidades e os desafios de cada negócio. “O primeiro passo é conhecer os resíduos gerados, identificar o que pode ser reaproveitado e buscar soluções tecnicamente viáveis”, resume Gleiciane. “Vamos pensar no caso de um frigorífico: uma alternativa de redução de desperdício é colocar calhas na linha de produção para recolher o sangue e poder reaproveitar ele como um novo produto. Dá para fazer farinha, dá para fazer outros produtos com base no sangue recolhido e não deixar ele desperdiçar no chão”, exemplifica.

No Nordeste, o avanço dessa agenda depende de ampliar infraestrutura, coleta seletiva, capacidade de processamento e integração entre os agentes econômicos. Ao mesmo tempo, a diversidade das atividades produtivas regionais abre espaço para soluções ajustadas às realidades locais, como o reaproveitamento de subprodutos, a reciclagem de materiais e a valorização de resíduos orgânicos. Um bom exemplo disso é o que acontece no setor sucroenergético, que tem potencial para aproveitar resíduos como bagaço, vinhaça e torta de filtro na produção de biometano, bioenergia e outros biocombustíveis. Essas iniciativas podem ampliar a descarbonização da indústria, agregar valor aos resíduos e abrir novas oportunidades de investimentos e parcerias internacionais.. “Aproximar essas possibilidades das indústrias do Agreste e do Sertão pode favorecer ganhos de eficiência e estimular novos negócios”, afirma o diretor de Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), Julio Zorzal.

Promovido pelo SENAI Alagoas, o Diálogo com a Indústria busca aproximar empresas, especialistas e soluções tecnológicas, estimulando a troca de conhecimentos sobre questões estratégicas para o setor produtivo. “A indústria alagoana precisa incorporar essa discussão à sua estratégia de desenvolvimento. Levar esse debate ao Agreste e ao Sertão é essencial para que empresas de diferentes regiões tenham condições de se preparar para as transformações da indústria”, finaliza Zorzal.