HGE salva vida de vendedora vítima de “derrame”, após atendimento agilizado pelo Programa AVC Dá Sinais
Uma mulher de 61 anos recebeu atendimento rápido após apresentar sinais de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em Maceió. Ela ainda conseguiu realizar trombólise dentro da janela terapêutica, procedimento considerado decisivo para reduzir riscos de sequelas neurológicas. A operação só foi possível graças ao atendimento integrado da Rede Estadual Pública de Saúde e à atuação do Programa AVC Dá Sinais, criado e executado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
A paciente, Amara Josilene dos Santos, começou a sentir os primeiros sintomas ainda em casa, no bairro Benedito Bentes. Ela relatou que o quadro teve início de forma súbita, com tontura e alterações motoras perceptíveis.
“Levantei de manhã boa, mas quando fui buscar a minha sombrinha tive uma tontura, minha boca estava torta e minha mão e perna esquerdas ficaram dormentes. Minha filha disse que era melhor me levar para a UPA”, afirmou.
Diante dos sinais, a filha da paciente a levou para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde a equipe médica identificou rapidamente a suspeita de AVC. A partir da avaliação clínica, foi acionado o Programa AVC Dá Sinais, que atua na integração entre unidades de urgência e hospitais de referência por meio de uma plataforma digital.
O sistema permite o compartilhamento em tempo real de informações clínicas e exames com especialistas, agilizando a definição da conduta e a transferência do paciente quando necessário.
Trombólise
Segundo a neurologista Juliana Almeida, a articulação entre os serviços foi determinante para a condução do caso. Ela explicou que, após a chegada da paciente ao Hospital Geral do Estado (HGE), foram realizados exames para confirmação do diagnóstico e avaliação da melhor abordagem terapêutica.
“A transferência para o HGE ocorreu de forma imediata. Ao chegar aqui, a submetemos aos exames necessários para confirmar o diagnóstico e avaliar a melhor conduta terapêutica. Isso foi decisivo. Dentro da janela terapêutica adequada, a paciente recebeu a trombólise, tratamento utilizado para dissolver o trombo, responsável pela obstrução do fluxo sanguíneo cerebral nos casos de AVC isquêmico”, explicou
A médica destacou ainda que o tempo de resposta é um dos principais fatores para o sucesso do tratamento em casos de AVC isquêmico, condição que ocorre quando há obstrução de uma artéria cerebral, impedindo a chegada de oxigênio ao tecido cerebral.
Após o procedimento, a paciente foi encaminhada para acompanhamento na Unidade de AVC do hospital, que conta com equipe multiprofissional composta por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e fonoaudiólogos, voltada à reabilitação precoce.
O diretor médico da unidade, Miquéias Damasceno, ressaltou que o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) inclui não apenas a fase aguda, mas também o processo de recuperação. Segundo ele, os pacientes recebem orientações antes da alta e podem ter retorno agendado em ambulatório especializado.
“Aqui na Unidade de AVC do HGE, o paciente do SUS conta com assistência multidisciplinar, incluindo acompanhamento médico, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia e demais cuidados voltados à reabilitação precoce. E quando o paciente recebe alta hospitalar, ele obtém as orientações da equipe, com possibilidade de retorno agendado no ambulatório especializado da unidade”, afirmou.
O AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo, e ocorre quando há interrupção ou ruptura do fluxo sanguíneo cerebral. O tipo mais comum é o AVC isquêmico, responsável por cerca de 85% dos casos, segundo dados do Ministério da Saúde.
Entre os sintomas de alerta estão boca torta, dificuldade para falar, perda de força em um dos lados do corpo, alteração visual, tontura súbita, dificuldade para caminhar e confusão mental. Especialistas reforçam que a identificação rápida desses sinais e o encaminhamento imediato para atendimento médico são fundamentais para reduzir sequelas.
Embora possa surgir de forma repentina, o AVC está fortemente associado a fatores de risco modificáveis. Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade e consumo excessivo de álcool estão entre os principais. A adoção de hábitos saudáveis, o acompanhamento médico regular e o controle dessas condições são medidas essenciais para a prevenção.