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Desigualdade no Enem: diferença entre alunos ricos e pobres no país chega a 18 pontos

Por Extra 28/04/2026
Desigualdade no Enem: diferença entre alunos ricos e pobres no país chega a 18 pontos
Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) (Foto: Divulgação)

Celebrado nesta terça-feira, 28 de abril, o Dia da Educação nasceu em 2000, ao fim do Fórum Mundial da Educação, em Dakar, no Senegal. Na ocasião, presidentes e líderes de mais de 160 países — incluindo o Brasil — reforçaram seu compromisso e a meta de universalização da educação. Hoje, no entanto, passados 26 anos, nosso país continua amplamente desigual no setor: no Enem, a diferença entre alunos de baixa e alta renda, de escolas públicas e privadas, chega a 18 pontos.

No Rio de Janeiro, segundo a Firjan, a variação da média dos estudantes de baixa e alta renda nas escolas públicas chega a 14,17 pontos, e a 10,98 na rede privada. Na média nacional, a distância é de 18,05 pontos entre alunos de escolas públicas e 10,07 nas unidades particulares.

Os dados dizem respeito à média de desempenho no Enem entre 2020 e 2024, comparando-o com as respectivas rendas familiares acima e abaixo de quatro salários mínimos.

Nas escolas Firjan Sesi, a diferença é de apenas 0,94. Essa equidade das notas entre jovens de diferentes realidades nessas unidades demonstra o chamado “efeito escola”, que é o impacto que uma instituição tem para diminuir distorções de desempenho entre alunos de níveis socioeconômicos antagônicos – pois, sabidamente, os de maior renda saem na frente devido às maiores oportunidades de acesso à cultura, à educação e até a uma alimentação digna.

Uma das unidades de destaque do sistema é a unidade Maracanã, que registrou nota média de 618,07 pontos no Enem entre 2020 e 2024. Uma escola privada do mesmo bairro, de tamanho semelhante, teve 617,6. Mas, ao analisar o perfil de renda dos estudantes, constata-se que, na unidade da Firjan Sesi, apenas 19% dos estudantes têm renda familiar superior a quatro salários-mínimos, enquanto na escola privada analisada esse percentual era de 83%.

Considerando o intervalo entre 2020 e 2024, alunos de todo o país oriundos da rede pública tiveram uma queda de 70,31 pontos — com uma média de 535,80 em 2024. Na rede privada, em 2024, a média foi de 620,73, um aumento de 3,48 pontos em relação a 2020. Em 2024, a média das escolas Firjan Sesi foi de 617,97, um aumento de 58 pontos, tendo o maior aumento de pontuação médio do Enem no país.

Segundo a pesquisa, 82% dos alunos das Escolas Firjan Sesi têm renda abaixo de quatro salários mínimos (82%), patamar maior do que a própria rede pública do Rio (77%), além da privada (42%).

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