Da infância nas usinas de açúcar à engenharia de produção de PVC: a trajetória vitoriosa de Adriana Rocha, destaque entre mulheres na ciência
Engenheira química e coordenadora de produção na unidade de PVC da Braskem em Marechal Deodoro (AL), Adriana constrói trajetória marcada pelo olhar científico aplicado à indústria e inspira meninas e jovens a seguirem carreiras em ciências e engenharia
No coração da indústria química alagoana, Adriana Rocha, coordenadora de produção na unidade de PVC da Braskem, no Polo de Marechal Deodoro, une ciência e engenharia num trabalho cotidiano que vai muito além de planilhas e relatórios. Ao celebrar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, comemorado em 11 de fevereiro, sua trajetória se destaca como exemplo de liderança técnica, curiosidade e persistência — atributos essenciais em campos onde as mulheres ainda são minoria.
Filha de um trabalhador da usina de cana-de-açúcar, Adriana lembra que foi nesse ambiente industrial que “a curiosidade sobre processos, transformação de matéria e o papel da química na geração de valor” começou a moldar suas escolhas. O curso técnico em Química confirmou uma inclinação natural para a ciência, e a transição para a engenharia química veio com a percepção de que sua paixão era entender e otimizar os processos produtivos. “Sempre enxerguei na ciência uma forma concreta de entender, melhorar e transformar realidades”, relata.
Hoje, ao coordenar um dos mais importantes segmentos produtivos da Braskem — a fabricação de PVC, matéria-prima essencial para diversos setores industriais — Adriana diz que a formação científica orienta cada decisão. “Ela contribui diretamente para meu raciocínio analítico, a interpretação de dados, a tomada de decisão baseada em evidências e a busca por soluções estruturadas”, afirma, destacando que é essa mesma base para garantir segurança operacional, eficiência e confiabilidade em ambientes industriais complexos.
Em sua rotina, a ciência se revela principalmente quando surgem desafios técnicos: da análise de desvios à avaliação de riscos e priorização de ações, a profissional explica que olhar além dos sintomas para encontrar a “causa raiz” dos problemas é o que, muitas vezes, faz a diferença entre um processo parado e uma produção fluindo com segurança. “A ciência e a engenharia ajudam a ir além do sintoma e buscar a causa raiz, permitindo decisões mais assertivas, sustentáveis e seguras.”
Desafios para mulheres na ciência e engenharia
Dados globais reforçam o cenário desafiador que mulheres como Adriana enfrentam ao desbravar profissões majoritariamente ocupadas por homens. Segundo relatórios internacionais, menos de um terço dos pesquisadores no mundo são mulheres e, em algumas regiões, elas representam menos de 30% dos profissionais de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Esse desequilíbrio torna ainda mais valiosa a presença de mulheres em posições de liderança e decisão técnica.
Para Adriana, representar mulheres na ciência e na engenharia é “uma grande responsabilidade e motivação”. Ela acredita que mostrar competência, conhecimento e sensibilidade contribui para que outras meninas e jovens se sintam pertencentes aos espaços técnicos. “Não é preciso ter todas as respostas no início; o mais importante é a vontade de aprender, de perguntar e de persistir”, aconselha.
Nesse 11 de fevereiro, suas palavras ecoam como um convite: “Nunca percam a curiosidade. A ciência começa exatamente na vontade de entender como as coisas funcionam e no desejo de transformar esse conhecimento em algo que faça a diferença.”