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Dólar cai e Bolsa sobe, sem que “tarifaço” de Trump afete o Brasil

Mercados brasileiros de câmbio e de ações valem-se do fluxo de moeda americana, que deixa os EUA rumo aos países emergentes

Por Metrópoles 01/04/2025
Dólar cai e Bolsa sobe, sem que “tarifaço” de Trump afete o Brasil
Dólar (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Os mercados de câmbio e de ações mantiveram-se no campo positivo nesta terça-feira (1º/4), apesar do anúncio iminente do novo “tarifaço” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A previsão é que o republicano divulgue novas sobretaxas sobre produtos importados nesta quarta-feira (2/4). Ele definiu a data como o “Dia da Libertação” das relações comerciais dos EUA.

Nesse contexto, o dólar fechou em queda de 0,39%, cotado a R$ 5,68. Na véspera, ele já havia recuado 0,94%, a R$ 5,70. Note-se que o real superou o dólar com considerável folga no primeiro trimestre de 2025. Nesse período, a moeda brasileira valorizou-se 7,27% frente à divisa americana, considerada a Ptax, a taxa de referência do dólar calculada pelo Banco Central (BC).

O Ibovespa também teve um resultado positivo. O principal índice da Bolsa brasileira (B3) fechou em alta de 0,68%, aos 131.150 pontos, nesta terça-feira. No dia anterior, o indicador havia caído 1,25%, chegando aos 130.260 pontos.

Na avaliação do mercado, os bons resultados registrados no Brasil, tanto no câmbio como na Bolsa são compatíveis com a instabilidade provocada pelo anúncio de tarifas por parte de Trump. Isso porque as medidas do republicano tendem a provocar um desaquecimento da maior economia do mundo.


Bom para o Brasil

Confirmada essa hipótese, o que se segue é o seguinte: se essa baixa não se transformar em recessão, os rendimentos dos títulos da dívida do Tesouro americano, os Treasures, assim como a cotação do dólar, tendem a diminuir. Isso é bom para o Brasil por vários motivos.

Em primeiro lugar, essa queda torna mais atrativos investimentos em ativos de renda variável. Nesse caso, enquadram-se as ações negociadas em Bolsas de Valores, especialmente em países emergentes, como é o caso do Brasil, onde os papéis estão sendo considerados baratos pelos agentes econômicos.


Fluxo de dólares

Além disso, a tendência é que os juros americanos caiam, caso a economia dos EUA emita sinais inequívocos de perda de tração. Nesse cenário, o rendimento dos Treasures também vão baixar, aumentando o fluxo de dólares para outros países.

Na avaliação de Emerson Vieira Junior, responsável pela mesa de câmbio da Convexa Investimentos, esse fluxo já está ocorrendo. “O dinheiro está saindo dos EUA”, diz o analista. “E esse movimento está favorecendo os mercados no Brasil e em outros países emergentes como o México e a Turquia.”


Dados da retração

Nesta terça-feira, também foram divulgados dados que mostram uma retração da indústria dos EUA em março. Ela caiu depois de dois meses de expansão, de acordo com o Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês).

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial também baixou. Foi de 50,3 para 49,0. O relatório Jolts, também apresentado nesta terça-feira, apontou um recuo na abertura de vagas de emprego nos EUA em fevereiro. Foram criados 7,568 postos de trabalho no mês passado, ante 7,762 em janeiro.


Títulos americanos caem

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da fintech Nomad, os dados econômicos dos Estados Unidos renovaram as preocupações com a desaceleração da economia americana. “Com isso, os títulos do Tesouro americano apresentam uma queda expressiva nesta sessão, com o juro de 10 anos recuando cerca de 6 pontos-base”, diz.

Essa queda dos rendimentos, nota o analista, favoreceu a valorização do real nesta sessão. “Somado a isso, temos a postura do Banco Central brasileiro, que reforçou diversas vezes no mês de março seu compromisso de convergência da inflação para a meta, levando o mercado de juros locais a precificar uma taxa Selic em torno de 15% a partir do segundo semestre deste ano”, afirma. “Esse cenário torna o real mais atrativo em operações de carry trade — estratégias que buscam aproveitar o diferencial de juros entre Brasil e EUA.”


Commodities sobem

Shahini acrescenta que, além disso, a sessão foi marcada pela valorização das principais commodities da pauta de exportação brasileira. Algo que incluiu o minério de ferro, a soja e o café, pressionando o dólar para baixo por meio da melhora dos termos de troca do Brasil.