Notícias

Júri de bancário: testemunhas relembram acidente que deixou dois mortos na Fernandes Lima

Por Redação* 28/09/2026
Júri de bancário: testemunhas relembram acidente que deixou dois mortos na Fernandes Lima
Acidente na Avenida Fernandes Lima. (Foto: Foto: Reprodução/Gazetaweb.)

Novos depoimentos prestados durante o júri popular do bancário Sérgio Praxedes dos Santos Filho detalharam os momentos que antecederam o acidente ocorrido em julho de 2021, na Avenida Fernandes Lima, em Maceió, e também as consequências deixadas para Quitéria Gonçalves Amorim, uma das sobreviventes da colisão.

O julgamento acontece nesta segunda-feira (28), no Fórum do Barro Duro. Sérgio Praxedes responde pelo acidente que terminou com a morte dos motociclistas Pedro Alves e José Cícero, marido de Quitéria. Segundo informações do processo, o veículo conduzido pelo réu trafegava pela contramão quando atingiu as motocicletas.

Durante a sessão, Edjane Amorim, irmã de Quitéria, afirmou que a vítima permanece com limitações físicas e emocionais desde o acidente.

“Ela ficou emocionalmente abalada, sem condições de trabalhar, pois ficou com sequelas, não pode ficar muito tempo sentada e nem em pé. Ela toma remédio até hoje”, relatou.

Edjane também afirmou que o tratamento realizado pela irmã após o acidente foi feito por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Questionada pela defesa sobre uma eventual contribuição do réu para sessões de fisioterapia, disse desconhecer qualquer pagamento.

“A única coisa que ele fez foi dar pacotes de fraldas para ela. O tratamento dela, que eu saiba, foi pelo SUS”, declarou.

A própria Quitéria também havia prestado depoimento durante o julgamento, por videoconferência. Atualmente morando em Minas Gerais com um dos filhos, ela contou que trabalhava como empregada doméstica antes da colisão, mas que não conseguiu retornar à atividade devido às sequelas. A vítima afirmou ainda que continua fazendo uso de medicamentos e busca aposentadoria em razão das limitações físicas.

Testemunha diz que motorista entrou na contramão

Outra testemunha ouvida foi o ambulante Murilo Lourenço, que trabalhava próximo ao local do acidente no momento da colisão.

Ao ser questionado pelo Ministério Público sobre o que lembrava daquela manhã, ele afirmou ter visto o veículo saindo da região de um posto de combustíveis e seguindo pela contramão.

“Eu trabalho próximo, chego logo cedinho, sou ambulante. O carro saiu da rua do posto de gasolina e pegou a contramão. Todo mundo ficou pasmo: ‘esse cara vai para onde?’. Aí escutamos o estouro e disseram que ele pegou duas motos”, contou.

Murilo disse ainda que não se aproximou imediatamente das vítimas após ver imagens do acidente feitas por outra pessoa. A defesa não apresentou perguntas à testemunha.

O comerciante Leonardo Ferreira também prestou depoimento e relatou ter presenciado toda a sequência do acidente. Ele pediu para falar sem a presença do réu no plenário.

Leonardo contou que trabalhava em seu estabelecimento de caldo de cana e atendia um cliente quando percebeu o veículo trafegando no sentido contrário da avenida. Segundo ele, chegou a fazer sinais para que o motorista parasse.

“Eu vi o acidente. Estava com um cliente, aí o rapaz veio na contramão e eu comecei a acenar dizendo: ‘pare, é contramão’. Mas não teve jeito”, afirmou.

De acordo com a testemunha, um veículo conseguiu desviar antes da colisão, mas, logo depois, o Jeep conduzido por Sérgio atingiu as motocicletas.