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Endividamento avança em Maceió e chega a quase 85% das famílias

Por Assessoria 17/09/2026
Endividamento avança em Maceió e chega a quase 85% das famílias
As pessoas em situação de superendividamento devem buscar ajuda especializada nos órgãos de proteção e defesa do consumidor. (Foto: Agência Brasil)

Quase 85 de cada 100 famílias de Maceió chegaram a agosto com algum tipo de dívida, como cartão de crédito, carnê, empréstimo ou financiamento. O endividamento atingiu 84,6%, o maior nível da série recente da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Apesar do avanço das dívidas, a inadimplência apresentou leve queda: o percentual de famílias com contas em atraso passou de 34% para 33,8%, enquanto a parcela que afirma não ter condições de pagar os débitos recuou de 9,4% para 9,2%.

Os dados são do Instituto Fecomércio AL, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Na comparação com julho, o endividamento cresceu 0,3 ponto percentual. Em relação a agosto de 2025, quando estava em 79,6%, a alta foi de 5 pontos percentuais.

Para o assessor econômico do Instituto Fecomércio AL, Lucas Sorgato, os números mostram que o crédito ocupa cada vez mais espaço no orçamento dos maceioenses.

“Atualmente, praticamente 85 de cada 100 famílias possuem algum tipo de dívida. Isso significa que apenas uma pequena parcela da população consegue atravessar o mês sem compromissos financeiros relacionados a cartão, carnê, empréstimos ou financiamentos”, afirma.

Além de atingir uma parcela maior da população, o levantamento mostra mudanças no grau de endividamento. Entre julho e agosto, o percentual de famílias que se consideram “muito endividadas” subiu de 14,6% para 15,8%. O grupo dos “mais ou menos endividados” aumentou de 31% para 39,3%, enquanto a parcela dos “pouco endividados” caiu de 38,6% para 29,5%.


Cartão de crédito concentra as dívidas

O cartão de crédito permanece como a principal modalidade de endividamento e está presente em 93,4% das famílias endividadas de Maceió. Em julho, eram 91,5%.

O crédito pessoal também ganhou participação, passando de 21,9% para 24,2%. Já os carnês avançaram de 26,4% para 26,6%, permanecendo como a segunda modalidade mais frequente.


Endividamento por renda

Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 84,9% em agosto, contra 84,4% em julho.

Nas famílias com renda superior a 10 salários mínimos, houve movimento contrário no período, com redução de 81,7% para 80,5%. O índice, no entanto, permanece consideravelmente acima dos 64,6% registrados nessa faixa de renda em agosto de 2025.

As contas em atraso continuam mais concentradas entre as famílias de menor renda. Nesse grupo, a inadimplência recuou de 35,4% para 35,2%. Entre os domicílios com renda superior a 10 salários mínimos, permaneceu em 13,4%. Na comparação com agosto do ano passado, entretanto, houve aumento nessa faixa, já que o índice era de 8,5%.

“Essa diferença mostra uma característica importante da estrutura financeira das famílias: embora a alta renda esteja mais endividada e tenha aumentado sua inadimplência, continua apresentando maior capacidade de reorganização financeira, renegociação e utilização de reservas”, explica Sorgato.

Para o comércio de bens, serviços e turismo de Maceió, o cenário indica manutenção da demanda no curto prazo, uma vez que o crescimento do endividamento não foi acompanhado por aumento da inadimplência.

Segundo Sorgato, a continuidade desse quadro dependerá de fatores como emprego, renda real, inflação e comportamento dos juros nos próximos meses.

“A continuidade desse cenário dependerá da evolução do emprego, da renda real, da inflação e da velocidade de redução dos juros nos próximos meses. Para o setor empresarial, a leitura recomenda aproveitar a manutenção do consumo, sem perder de vista a qualidade do crédito e a capacidade futura de pagamento dos consumidores”, afirma.