Famílias desocupam terras da antiga Usina Laginha sem confronto
Saída dos trabalhadores rurais foi intermediada por órgãos públicos com relocação para novas áreas
As famílias que ocupavam há 12 anos uma área da antiga Usina Laginha, no município alagoano de União dos Palmares, deixaram o local de forma pacífica nesta terça-feira, dia 25. A informação é de um dos diretores da empresa. Ele afirma que a desocupação do Acampamento "Che Guevara" dentro de uma solução negociada entre os envolvidos teria ocorrido de forma pacífica, sem a necessidade de uso da força policial, após as negociações realizadas entre os ocupantes, movimentos sociais, a Justiça e órgãos públicos.
O momento é entendido como um marco na relação entre a empresa e os movimentos sociais, que no passado registrou conflitos. Segundo o diretor Tarcísio José Oliveira Rocha, a solução foi construída por meio de reuniões envolvendo diferentes setores e teve como objetivo evitar um confronto durante o cumprimento da decisão judicial.
A desocupação foi tratada como um processo de relocação e não de reintegração de posse forçada, na avaliação do diretor da usina. A empresa apresentou áreas para os movimentos sociais e as alternativas foram discutidas com as famílias. "O processo não foi encarado pelas partes apenas como uma reintegração de posse, mas como uma relocação dos ocupantes", enfatizou o diretor Tarcísio José Oliveira Rocha.
Ele informa que participaram das tratativas representantes dos movimentos sociais, famílias acampadas, Justiça de Alagoas e órgãos ligados às políticas de reforma agrária. “Estamos tendo não um momento de reintegração, mas de relocação”, disse.
Os grupos que deixaram a área da antiga Usina Laginha seguiram para terrenos destinados à produção na região.
A expectativa é de que as novas áreas sejam adequadas à produção de alimentos e garanta o sustento das famílias. Tarcísio Rocha afirmou que as áreas - denominadas Sapucaia, Jacinto e Paulo Gomes - poderão contribuir para a geração de emprego e renda e para o abastecimento da população. “Os grupos vão continuar na Laginha como nossos vizinhos”, afirmou.