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Corpo muda após os 40 e perda de peso pode exigir novas estratégias, alerta especialista

Por Assessoria 24/08/2026
Corpo muda após os 40 e perda de peso pode exigir novas estratégias, alerta especialista
Médica nutróloga Eline Soriano. (Foto: Reprodução)

A dieta é a mesma, a rotina parece não ter mudado tanto, mas o resultado na balança já não acontece como antes. Para muitas mulheres, a dificuldade para perder peso se torna mais evidente a partir dos 40 anos, justamente em uma fase que pode coincidir com o início da transição para a menopausa. O que muitas vezes é interpretado apenas como falta de disciplina também envolve mudanças hormonais, metabólicas e na composição corporal.

Durante a transição menopausal, a redução progressiva do estrogênio interfere na maneira como o organismo distribui a gordura. A tendência é de maior concentração na região abdominal e visceral, em contraste com o padrão mais comum antes da menopausa, quando a gordura costuma se acumular mais em quadris e coxas. A Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa, publicada em 2024, destaca que a deficiência estrogênica influencia o metabolismo lipídico, o gasto energético, a resistência à insulina e a composição da gordura corporal.

Segundo a médica nutróloga Eline Soriano, isso ajuda a explicar por que estratégias que funcionavam aos 20 ou 30 anos podem deixar de produzir a mesma resposta depois dos 40.

“Não significa que a mulher esteja condenada a engordar quando entra na transição menopausal. O que acontece é que o organismo passa por mudanças importantes. Há alterações hormonais, tendência à perda de massa muscular e maior facilidade para acumular gordura abdominal. Por isso, simplesmente comer cada vez menos ou repetir uma dieta que funcionou anos atrás pode não ser a melhor estratégia”, explica.

Um dos maiores estudos sobre o tema, o Study of Women’s Health Across the Nation (SWAN), acompanhou mulheres ao longo da transição menopausal e identificou uma mudança significativa na composição corporal. A partir do início dessa fase, a velocidade de ganho de massa gorda praticamente dobrou, enquanto houve redução de massa magra. Os pesquisadores ressaltam, porém, que o aumento do peso corporal em si também está fortemente relacionado ao envelhecimento, mostrando que menopausa e idade atuam de formas diferentes e complementares.

Além da balança - A mudança na composição corporal é um dos pontos que podem passar despercebidos. Uma mulher pode apresentar pouca alteração no peso e, ainda assim, perder massa muscular e aumentar a proporção de gordura, especialmente na região abdominal.

Outro estudo longitudinal, publicado no International Journal of Obesity, acompanhou mulheres durante quatro anos e observou aumento significativo da gordura visceral entre aquelas que chegaram à pós-menopausa. O trabalho também identificou redução do gasto energético e da oxidação de gordura ao longo desse período.

Por isso, Eline explica que o acompanhamento nessa fase não deve considerar apenas quantos quilos a paciente pretende perder. “Precisamos olhar para a composição corporal, quantidade de massa muscular, alimentação, qualidade do sono, atividade física e alterações metabólicas. O objetivo não deve ser somente reduzir o número da balança, mas melhorar a saúde metabólica e preservar músculo”, afirma.

Estratégias de mudança - Na prática, a dificuldade para emagrecer depois dos 40 não significa que o metabolismo simplesmente “parou”. O envelhecimento pode reduzir o gasto energético, principalmente quando acompanhado de perda de massa muscular e menor nível de atividade física, enquanto a transição hormonal favorece mudanças na distribuição da gordura.

É nesse cenário que estratégias muito restritivas podem ser contraproducentes quando realizadas sem acompanhamento. Para a nutróloga, preservar ou aumentar a massa muscular passa a ter papel ainda mais importante, o que envolve alimentação adequada, consumo individualizado de proteínas, exercícios de força, sono de qualidade e avaliação de possíveis alterações metabólicas.

“Depois dos 40, emagrecer continua sendo possível, mas a estratégia precisa acompanhar o novo momento do organismo. Não existe uma dieta única para todas as mulheres. É preciso entender o que mudou naquele corpo e trabalhar alimentação, exercício, sono e saúde metabólica de forma individualizada”, destaca Eline.

Além da questão estética, o cuidado ganha importância porque o aumento da gordura visceral está associado a maior risco de resistência à insulina, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Dessa forma, acompanhar as mudanças de peso e de composição corporal durante a transição menopausal pode ser também uma oportunidade para prevenir problemas que se tornam mais frequentes com o avanço da idade.