Santa Casa passa a tratar tumores no fígado com microesferas radioativas
Um tratamento minimamente invasivo. O paciente, com uma sedação e uma anestesia local na virilha, recebe o agente no tumor e, para o paciente selecionado, ele tem resultado comparável com o resultado da cirurgia”, afirma Ângelo Bomfim. Segundo o especialista, em casos selecionados, a radioembolização também pode integrar uma estratégia de tratamento com intenção curativa.
A técnica pode ser indicada para pacientes com hepatocarcinoma, tumor originado no próprio fígado, e para metástases hepáticas provenientes de outros tipos de câncer. Também pode ser utilizada para controlar ou reduzir a doença antes de uma cirurgia ou como ponte para um transplante hepático.
Pacientes que já passaram por tratamentos como quimioembolização, ablação ou quimioterapia e continuam apresentando progressão da doença também podem ser avaliados. Em algumas situações, a radioembolização pode ajudar a controlar uma lesão que, naquele momento, impede a realização de uma cirurgia.
Uma das características do procedimento é a ação localizada da radiação. “Essa radiação, como ela é seletiva, é localizada no tumor. Então, o efeito da radiação é local, é um tratamento de alta precisão e muito seletivo”, explica André Gustavo Pino.
As microesferas permanecem no fígado, mas a radioatividade do Ítrio-90 diminui progressivamente. O paciente costuma ficar internado por cerca de 24 horas devido aos cuidados relacionados ao cateterismo e não precisa permanecer isolado após a alta por causa da radiação.
Os primeiros procedimentos realizados na Santa Casa de Maceió contaram ainda com a participação do radiologista intervencionista Charles Zurstrassen, do Hospital AC Camargo, em São Paulo. O especialista destaca que a radioembolização já integra o rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
“Muito importante salientar que hoje esse procedimento já consta no rol da ANS, então ele é de cobertura obrigatória para os convênios”, afirma Charles Zurstrassen.
Para André Gustavo Pino, a incorporação da radioembolização amplia o arsenal disponível para o tratamento dos tumores hepáticos, mas a definição da melhor estratégia depende da avaliação de cada caso. “Que procure um especialista, um hepatologista, um oncologista, um serviço que tenha a cultura de discussão multidisciplinar. Isso pesa muito e comprovadamente melhora o desfecho”, orienta.