Jogo criado na Ufal transforma ensino de física em aventura digital
Desenvolvido em Arapiraca pelo pesquisador Kleber Saldanha, o game "Katarina no Mundo da Eletricidade" usa inteligência artificial e aprendizagem ativa para desmistificar fórmulas no Ensino Médio
Um projeto de pesquisa de doutorado desenvolvido no âmbito da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) promete revolucionar a forma como estudantes da rede pública e privada encaram uma das matérias historicamente consideradas mais complexas e abstratas da educação básica. Trata-se do game Katarina no Mundo da Eletricidade, um aplicativo digital que será disponibilizado gratuitamente para dispositivos móveis com sistema Android, projetado especificamente para transformar conceitos teóricos de Física em desafios práticos e interativos.
A iniciativa é de autoria do professor e pesquisador Kleber Saldanha, doutorando do programa da Rede Nordeste de Ensino (Renoen/Ufal) e docente efetivo da rede pública estadual nas escolas Lions Club e Professor José Moacir Teófilo, localizadas no município de Arapiraca. Sob a orientação do professor doutor Luiz Paulo Mercado, o estudo alia o apelo natural da cultura gamer entre os jovens às metodologias ativas de ensino.
Aprendizagem por Descoberta e Inteligência Artificial
A estrutura pedagógica do jogo foi ancorada na Teoria da Aprendizagem por Descoberta, formulada pelo psicólogo norte-americano Jerome Seymour Bruner. Diferente do modelo tradicional focado na memorização mecânica de fórmulas e equações, o ambiente virtual coloca o estudante como protagonista do próprio aprendizado, exigindo a formulação de hipóteses, teste de estratégias e solução de problemas práticos sobre circuitos e fenômenos elétricos.
Para a construção estética e narrativa, o pesquisador utilizou ferramentas gratuitas de tecnologia digital combinadas com recursos avançados de Inteligência Artificial Generativa, criando um universo visualmente estimulante para o público do 3º ano do Ensino Médio.
“Como professor de Física conhecedor dos principais desafios em sala de aula, percebi que os jogos digitais representam uma alternativa de alto engajamento. A proposta busca ir além de um recurso didático isolado: trata-se de uma ferramenta científica inédita para tornar o aprendizado de eletricidade verdadeiramente dinâmico e significativo”, destaca Kleber Saldanha.
Reconhecimento acadêmico e publicações de destaque
A fundamentação teórica e os resultados preliminares da tese já alcançaram forte projeção na comunidade científica e na imprensa. O projeto foi laureado com o Prêmio Excelência Acadêmica, concedido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), em reconhecimento ao seu impacto social e tecnológico para a educação do estado.
Além da premiação, a pesquisa gerou artigos científicos publicados em periódicos de alta classificação na Capes:
Revista Insignare Scientia (RIS): Vinculada à Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), onde o pesquisador aborda as “Reflexões sobre a aprendizagem por descoberta gamificada no ensino da Física”.
Revista Sítio Novo: Periódico multidisciplinar do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), com o trabalho focado nos “Desafios da eletrodinâmica no ensino médio”.
A iniciativa também extrapolou os muros da academia, sendo pauta de programas em canais de comunicação regionais, como a rádio Jovem Pan News Maceió 102,7 FM, onde o autor detalhou os benefícios da aplicação no ensino público.
Próximos passos e alcance nacional
A etapa de avaliação e validação empírica do software ocorrerá diretamente dentro das salas de aula em Arapiraca. O pesquisador acompanhará o progresso dos alunos analisando o nível de autonomia, as estratégias empregadas para resolver os enigma do jogo e o ganho real de assimilação dos conteúdos conceituais por meio de testes, questionários e entrevistas.
Após a finalização dos trâmites legais e burocráticos, a meta é disponibilizar o jogo Katarina no Mundo da Eletricidade em uma plataforma aberta e irrestrita. O repositório poderá ser acessado por estudantes, educadores e desenvolvedores não apenas de Alagoas, mas de todas as regiões do Brasil, reforçando o papel das universidades públicas na produção de tecnologias educacionais gratuitas e acessíveis.