Notícias

Com envelhecimento da população, eleitorado jovem recua 22% em 16 anos

Além da queda proporcional, houve também redução em números absolutos

Por Agência Brasil 16/08/2026
Com envelhecimento da população, eleitorado jovem recua 22% em 16 anos
Eleitorado jovem recua 22% em 16 anos (Foto: Agencia Brasil)

O envelhecimento da população brasileira já impacta o perfil do eleitorado, com diminuição de 22% no número de votantes entre 16 e 24 anos de 2010 a 2026.

O dado é resultado de levantamento do Instituto Nexus, encomendado pela Agência Brasil, com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além da queda proporcional, houve também redução em números absolutos: a quantidade de brasileiros com menos de 24 anos aptos a votar caiu 5,5 milhões — de 24,7 milhões, em 2010, para 19,2 milhões, em 2026.

Enquanto o número total de eleitores no país cresceu 17% — de 135,8 milhões para 158,8 milhões —, a participação dos jovens caiu de 18,2% para apenas 12,5% do eleitorado.

"Em um cenário de aguda polarização, como em 2022, quando a eleição foi definida por menos de 2 milhões de votos entre Lula e Jair Bolsonaro, todo eleitor é estratégico. A quantidade absoluta de votos dos jovens segue perdendo força anualmente, principalmente em comparação ao aumento de eleitores com mais de 60 anos", analisa o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.

Dados do TSE indicam que o número de idosos com título de eleitor ativo cresceu cerca de 74% desde 2010, somando atualmente mais de 36,8 milhões de pessoas.

Campanhas

O professor Hilton Fernandes, do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), avalia que as campanhas presidenciais ainda não sinalizaram como pretendem abordar o público jovem.

"Em 2022 houve alguma dedicação para atrair esse grupo, não tanto pelo volume de votos, mas pelo engajamento. Por isso tivemos propostas relacionadas ao desenvolvimento de games e facilidades para adquirir produtos eletrônicos", comenta.

Fernandes acredita que, à medida que as principais candidaturas avancem nas pesquisas, a tendência é buscar mais o eleitor jovem. Em campanhas proporcionais, como para deputados, pode haver um foco maior nesse público, considerado um nicho estratégico para algumas candidaturas.

Segundo o professor, as prioridades do voto jovem mantêm tendências de eleições anteriores: busca pelo primeiro emprego e formação profissional. O contexto de vida, situação econômica familiar, região e grupos sociais influenciam essas escolhas. Ao mesmo tempo, discursos que prometem grandes mudanças tendem a impactar mais esse segmento.

"Não são os partidos que atraem, mas o discurso dos candidatos, cada vez mais personalista. O discurso mais radical costuma atrair mais o jovem", observa Fernandes.

Ele ressalta, porém, que esse discurso pode "enganar" o eleitor mais novo, pois "nem sempre é necessário quebrar uma estrutura para mudar uma sociedade". O professor destaca ainda que o eleitor jovem não é um grupo homogêneo: "Jovens em ambientes mais conservadores podem ter comportamento distinto dos que enfrentam dificuldades financeiras, que geralmente buscam mais mudança".

Engajamento

O levantamento da Nexus também chama atenção para o engajamento nas urnas. Entre brasileiros de 18 a 24 anos — faixa em que o voto é obrigatório —, 78,5% compareceram ao primeiro turno. Já entre jovens de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, o comparecimento foi de 82,9%. A média nacional no último pleito ficou em 79,1%.


Sul e Sudeste são "mais velhos"

A pesquisa aponta que as regiões Sul e Sudeste concentram o menor percentual de jovens nas urnas. Nelas estão os três maiores colégios eleitorais: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O estado com menor participação jovem é o Rio Grande do Sul, onde eleitores até 24 anos representam apenas 9% do total.

Em seguida aparecem Rio de Janeiro (10%), São Paulo (11%), Santa Catarina (11%), Espírito Santo (11%), Minas Gerais (11%) e Paraná (11%). Na outra ponta, Roraima, Acre, Amapá e Amazonas têm as maiores proporções de jovens aptos a votar, com 18% cada. Maranhão (17%), Pará (16%) e Tocantins (16%) também se destacam.

“O Brasil está diante de uma nova geografia eleitoral. Os mais jovens perderam espaço nos maiores colégios eleitorais, deixando de ser o centro das principais estratégias políticas”, conclui Tokarski.