Preço do milho recua em agosto após avanço registrado no fim de julho
Indicador do Cepea aponta queda de 0,35% no início do mês, enquanto mercado segue marcado por negociações cautelosas
O mercado brasileiro de milho começou agosto com as cotações em baixa, depois de o cereal apresentar valorização no encerramento de julho. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o preço médio da saca de 60 quilos chegou a R$ 65,02 na sexta-feira (7), considerando o indicador calculado com base na região de Campinas (SP). O valor representa uma redução de 0,35% desde o início do mês.
O comportamento dos preços também variou entre as diferentes regiões produtoras acompanhadas pelo mercado. Segundo levantamento divulgado pela consultoria AgRural na semana passada, 22 das 39 praças pesquisadas mantiveram os valores estáveis na comparação com a semana anterior. Em outras 13 regiões houve valorização, enquanto quatro registraram queda.
Entre os maiores recuos, Campos Novos e Canoinhas, em Santa Catarina, tiveram redução de 1,5% nas cotações. Na outra ponta, Balsas, no Maranhão, apresentou a maior valorização do período, com avanço de 3,5%.
Exportações continuam abaixo do ano anterior
De acordo com o Cepea, o ritmo das exportações brasileiras de milho permanece inferior ao observado no mesmo período de 2025. Entre os fatores apontados estão o atraso no avanço da colheita da atual temporada e os preços considerados pouco atrativos nos portos brasileiros.
A menor movimentação também é percebida no mercado interno. Os compradores têm adotado uma postura mais cuidadosa antes de fechar novos negócios, enquanto produtores demonstram resistência em reduzir os preços pedidos.
O cenário é influenciado ainda pela disponibilidade do produto. Com o atraso na colheita, parte dos produtores tem restringido o volume colocado à venda e optado por utilizar os estoques disponíveis. A expectativa é de que o mercado externo ganhe maior ritmo e contribua para melhorar a comercialização nas próximas semanas.
O Cepea aponta que, embora os consumidores continuem participando das negociações, muitos deles não aceitam os níveis de preços considerados firmes pelos produtores.
Com a oferta limitada e a cautela dos compradores, o mercado segue com liquidez reduzida. Produtores, por sua vez, mantêm parte dos estoques e aguardam uma possível melhora na demanda, especialmente por meio das exportações.
O desempenho do milho nas próximas semanas deverá depender, entre outros fatores, do avanço da colheita, da disponibilidade interna, do comportamento das exportações e da disposição de compradores e vendedores em ajustar suas posições no mercado.