Alagoas registra menos de mil homicídios em um ano
Foram registrados 949 homicídios, uma redução de 11,3 em relação a 2024
Alagoas alcançou, em 2025, um marco histórico na segurança pública. Pela primeira vez desde o início da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Estado encerrou um ano com menos de mil homicídios.
Foram registrados 949 homicídios, uma redução de 11,3 em relação a 2024. O resultado confirma a tendência de queda observada nos últimos anos e reforça a mudança no cenário da violência em Alagoas, que já chegou a liderar o ranking nacional de homicídios.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (23/07) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo Anuário.
Apesar do avanço, Alagoas ainda aparece com a quarta maior taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) do país, considerando a população.
Queda histórica
Os números mostram uma transformação iniciada há pouco mais de uma década. Em 2012, Alagoas registrava mais de 2,2 mil homicídios por ano e figurava entre os estados mais violentos do Brasil.
Treze anos depois, o total caiu para 949 mortes, menos da metade do registrado no início da série histórica.
Principais reduções registradas em Alagoas
Homicídios: 949 casos em 2025, redução de 11,3% em relação a 2024 e primeiro ano abaixo de mil registros.
Mortes Violentas Intencionais (MVI): queda de 6,6% em relação ao ano anterior, atingindo o menor nível da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Junho de 2026: redução de 15,6% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) em comparação com junho de 2025.
Primeiro semestre de 2026: 431 CVLIs, o menor número para o período desde o início da série histórica da Secretaria de Segurança Pública.
Maceió: queda de 24% nos CVLIs em junho de 2026 em relação ao mesmo mês de 2025 e redução de 72,1% na comparação com 2012.
Rio Largo: redução de 75% nos homicídios em junho de 2026, na comparação com junho de 2025.
Arapiraca: queda de 37,5% nos homicídios em junho de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior.
A redução é atribuída a um conjunto de fatores, entre eles a ampliação do efetivo das forças de segurança, investimentos em inteligência, tecnologia, videomonitoramento, integração entre as polícias, expansão do sistema prisional e fortalecimento da capacidade de investigação da Polícia Civil.
Nos últimos anos, o governo estadual também ampliou significativamente o número de delegados. Quando Paulo Dantas assumiu o governo, Alagoas contava com cerca de 105 delegados. Com as nomeações realizadas em 2025 e 2026, o efetivo chega hoje a aproximadamente 240 profissionais.
O secretário de Segurança Pública, Flávio Saraiva, também atribui os resultados aos investimentos realizados pelo Estado, que já ultrapassam R$ 830 milhões em equipamentos, viaturas, helicópteros, tecnologia, reconhecimento facial e implantação de 19 Centros Integrados de Segurança Pública (CISPs).
Ainda há desafios
Embora os números confirmem uma melhora consistente dos indicadores, Alagoas continua entre os estados com maiores índices proporcionais de violência do país.
O desafio, segundo especialistas, é manter a trajetória de redução dos homicídios e consolidar os resultados alcançados na última década.
Outro tema que passa a ganhar espaço no debate é o aumento das mortes decorrentes de intervenção policial, apontado pelo Anuário. Esse indicador será abordado em reportagem específica.
A divulgação do Anuário confirma uma tendência que já vinha sendo apontada pelos dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública. Se os números do primeiro semestre de 2026 forem mantidos até dezembro, Alagoas poderá registrar um novo recorde de redução da violência, consolidando uma trajetória que transformou um estado que, há pouco mais de uma década, liderava os rankings nacionais de homicídios em um dos que mais reduziram esse tipo de crime no país.