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Aumento do etanol na gasolina deve ajudar safra em AL

Por Blog do Edvaldo Junior 15/07/2026
Aumento do etanol na gasolina deve ajudar safra em AL
Etanol (Foto: Cortesia/Assessoria)

O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%, chega em boa hora para o setor sucroenergético de Alagoas. A medida foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) nesta terça-feira (14/07), terá validade inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada pelo mesmo período.

A estimativa do governo é reduzir a importação de gasolina em cerca de 900 milhões de litros por ano. Já a Unica calcula demanda adicional próxima de 1 bilhão de litros de etanol por ano com a nova mistura.

Para Alagoas, o efeito é direto e indireto. O direto vem do aumento do consumo de etanol anidro misturado à gasolina. O indireto, e mais importante, depende do Centro-Sul: se mais cana for destinada ao etanol, haverá menor pressão sobre o açúcar, o que pode ajudar na recuperação dos preços.

A medida chega poucas semanas antes do início da safra 2026/2027 em Alagoas. A expectativa é que a Usina Pindorama comece a moagem antes do fim de agosto. As demais unidades devem iniciar principalmente em setembro.

Com mais etanol na gasolina, a tendência é de uma safra ainda mais alcooleira. No ciclo 2025/2026, Alagoas produziu 483,7 milhões de litros de etanol, alta de 19,27%. Já a produção de açúcar caiu 12,06%, reflexo da mudança no mix das usinas.

Quanto aumenta a demanda

No Brasil, o consumo de gasolina C somou 19,65 bilhões de litros de janeiro a maio de 2026, segundo dados da ANP. Com a mistura de 30%, esse volume embutia cerca de 5,89 bilhões de litros de etanol anidro. Com 32%, passaria para 6,29 bilhões.

A diferença é de aproximadamente 393 milhões de litros adicionais apenas nos cinco primeiros meses do ano. Projetado para 12 meses, o impacto se aproxima de 1 bilhão de litros.

Em Alagoas, o consumo de gasolina C foi de 239,3 milhões de litros entre janeiro e maio. Com 30% de anidro, isso representa 71,8 milhões de litros de etanol. Com 32%, seriam 76,6 milhões. Ou seja: 4,8 milhões de litros adicionais em cinco meses.

Mantido o mesmo ritmo, o impacto local poderia passar de 11 milhões de litros em 12 meses.

Consumo local ainda preocupa

O aumento da mistura ajuda, mas não resolve sozinho o desafio do etanol em Alagoas. O consumo de etanol hidratado segue fraco. De janeiro a maio de 2026, as vendas no Estado somaram 24,3 milhões de litros, contra cerca de 32 milhões no mesmo período de 2025. A queda foi de 24,1%.

Para um Estado produtor, o dado preocupa. Alagoas amplia a produção de etanol, mas o consumidor local continua preferindo a gasolina.

O presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira, avalia que o aumento da mistura é positivo, especialmente num ambiente de incertezas no mercado internacional e de dificuldades nas relações comerciais com os Estados Unidos. Mas ele defende que entidades e empresas do setor atuem para estimular também o consumo de etanol hidratado nas bombas.

Mais anidro na gasolina aumenta a demanda obrigatória. Já o crescimento do hidratado depende da escolha do consumidor.

Depois de uma safra de perdas, queda no ATR e redução da renda no campo, o etanol volta a ser uma alternativa para dar sustentação ao setor sucroenergético de Alagoas.