Ancelotti não poupará nenhum dos jogadores da seleção brasileira pendurados pelo cartão amarelo
Ancelotti não poupará nenhum dos jogadores pendurados pelo cartão amarelo. Douglas Santos e Casemiro (além do reserva Ibañez) enfrentarão a Escócia quarta-feira, em Miami, e a presença deles é uma indicação clara das intenções do treinador: maturar a base do time que hoje considera principal e encerrar a participação na fase de grupos com o primeiro lugar. O Brasil foi o líder nas últimas 11 edições do torneio, e a cúpula da comissão técnica não aceita que seja diferente. A última vez em que a seleção não terminou como líder da chave foi em 1978.
Significa dizer que o Brasil não está preocupado com o primeiro adversário na fase eliminatória. A liderança do Grupo C classificará a equipe para um confronto com o segundo lugar do F e, pelo que se viu no fim de semana, o Japão é o mais provável. Isso, porém, ficará em segundo plano. Ancelotti vê o time em evolução e, mesmo sem Raphinha, quer a seleção com protagonismo. Talvez, em função disso, Luiz Henrique possa iniciar na ponta direita. Rayan não fez má partida, mas esperava-se mais ímpeto ofensivo. A disputa pela posição está aberta.
Como os escoceses se fecharão em linha de cinco, pode ser até que a seleção tenha outro desenho. O bom entrosamento da dupla Lucas Paquetá e Vinicius Junior é visto como ponto forte; os dois gols de Matheus Cunha na vitória sobre o Haiti dão a percepção de eficiência entre meio e ataque; e a ideia de que Bruno Guimarães pode jogar um pouco mais perto dos atacantes abre a chance de Ancelotti optar por mais um meia em vez de preencher a vaga de Raphinha com outro ponta. Neste caso, Danilo Santos e Ederson passariam a ter chances.
Passada a primeira semana de Copa, fico com a impressão de que o trabalho de Ancelotti fora das quatro linhas visa convencer os jogadores de que o grupo é forte o suficiente para competir com os adversários que têm mais tempo de trabalho. Nos festejos do primeiro gol de Cunha, por exemplo, o principal a abraçá-lo foi justamente Igor Thiago, titular da posição na estreia; e no treino que seria exclusivo de Neymar, o lateral Alex Sandro pediu para lhe fazer companhia — gestos que começam a passar a impressão de harmonia e positividade.