PTK teria sido indicado pelo Comando Vermelho para representar facção na Câmara dos Deputados
O influenciador digital conhecido como PTK foi preso na manhã desta quarta-feira (3) durante a Operação Morro do Alemão, deflagrada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) contra integrantes do Comando Vermelho. Segundo as investigações, ele teria sido escolhido pela cúpula da facção para representar os interesses do grupo na política alagoana.
De acordo com a SSP, PTK foi apontado como um dos alvos da operação após investigações indicarem que ele teria sido escalado por Nem Catenga, apontado pelas forças de segurança como líder do Comando Vermelho em Alagoas, para disputar uma vaga na Câmara Municipal de Maceió nas eleições de 2024.
O nome do influenciador voltou a ganhar destaque político recentemente. No início de maio, PTK anunciou nas redes sociais sua pré-candidatura a deputado federal, afirmando que pretendia disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições do próximo ano.
A prisão ocorreu durante a Operação Morro do Alemão, que cumpre 51 mandados judiciais, sendo 21 de prisão e 30 de busca e apreensão e medidas cautelares. As ações acontecem em Maceió, Marechal Deodoro e no Rio de Janeiro.
Até o momento, nove pessoas foram presas. As investigações são conduzidas pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACCO), com apoio da ROTAM e dos setores de inteligência da SSP.
Segundo a polícia, a apuração revelou a existência de uma estrutura organizada voltada para a expansão territorial do Comando Vermelho em Alagoas. Os mandados foram expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital com base nas provas reunidas durante a investigação.
Em um áudio divulgado pela Secretaria de Segurança Pública, o líder do Comando Vermelho em Alagoas, conhecido como 'Nem Catenga', aparece conversando com o influenciador.
Na conversa obtida pelos investigadores, o influenciador e o líder do tráfico de drogas marcam um encontro no Rio de Janeiro para alinhar detalhes sobre a participação do influenciador no pleito eleitoral.
NEM CATENGA: É o seguinte, mano! Eu vou precisar falar com você pessoalmente, entendeu? Eu não sei o dia que você pode tá (sic) disponível para conversar comigo pessoalmente. Aí qualquer dia, tu vê aí que eu peço pra comprar a passagem, viu? É referente a eleição, entendeu? Eu vou precisar [...] Vamos precisar do seu apoio mais uma vez. Contamos com você, entendeu?
Já para adiantar para você o que é, o que se trata, para você não ficar com interrogações, entendeu? E outras coisas, alguns detalhes, eu vou conversar com você pessoalmente. Eu queria ver com vocês se nós pode (sic) estar contando com vocês 100%, irmão. Para nós ter (sic) uma voz ativa maior e trazer os benefícios a qual a comunidade almeja, entendeu? Com pessoas nossas que vai (sic) nos representar verdadeiramente como você sabe. Outra visão eu passo pessoalmente para você entender após essa eleição e as próximas, o missionário não quer mais saber de político, entendeu? Então assim, nós vai (sic) ter que ter um representante nosso aí, para dar continuidade e continuar sendo nossa voz ativa, independentemente de A e de B. Eu já estou conversando com todos na comunidade. Pessoalmente você vai pegar a visão melhor, valeu?
PTK: beleza, pô. Deixa eu passar por esse bloco, tá ligado, mano? Tô com a cabeça muito perturbada. O bloco já é agora esse domingo, no outro, e a eleição ainda tá longe. Passar um pouco dessas coisas e eu melhorar um pouco, e a gente senta e conversa. Mas independente, eu vou tá aberto, porque não tenho outro político pra apoiar, tá ligado? Pode ficar tranquilo, pô. Se eu tiver que apoiar, se eu tiver melhor, é vocês, pô. Político nenhum nunca me ajudou, agora que eu tô na mídia todo mundo quer. Então eu vou tá pela favela, pô. Minha intenção é essa.
A defesa de PTK ainda não se manifestou sobre as acusações. As investigações seguem em andamento.