Patrimônio Vivo de Alagoas, Mãe Mirian toma posse na Academia Alagoana de Cultura
Academia Alagoana de Cultura abre espaço inédito para ancestralidade afro-brasileira Neno Canuto Daniel Borges/ Ascom Secult A cultura de matriz africana de Alagoas viverá um momento histórico no próximo dia 26 de maio de 2026, às 19h, com a posse de Mãe
A cultura de matriz africana de Alagoas viverá um momento histórico no próximo dia 26 de maio de 2026, às 19h, com a posse de Mãe Mirian na Cadeira 34 da Academia Alagoana de Cultura. Reconhecida como Patrimônio Vivo de Alagoas, a ialorixá será a primeira representante dos povos de terreiro a integrar a instituição.
A cerimônia será realizada na Sala de Música do Complexo do Teatro Deodoro, no Centro de Maceió, reunindo lideranças religiosas, movimentos negros, representantes culturais e a sociedade alagoana em uma celebração marcada pela ancestralidade, pelos atabaques e pela força das tradições afro-brasileiras.
Natural de Piranhas, às margens do Rio São Francisco, Mirian Araújo Souza Melo nasceu em 9 de junho de 1934 e construiu uma trajetória profundamente ligada à preservação das religiões de matrizes africanas em Alagoas. Sua caminhada religiosa começou ainda na infância, atravessando décadas de perseguições aos povos de terreiro até se tornar uma das maiores referências da cultura afro-alagoana.
Registrada no Livro de Tombo em 2021 como Patrimônio Vivo pelas Religiosidades de Matrizes Africanas, Mãe Mirian dedicou sua vida à manutenção dos saberes ancestrais, da oralidade, dos rituais e das tradições que fazem parte da identidade cultural do Estado.
A posse também terá como padrinho o desembargador Tutmés Airan, reconhecido como o Primeiro Obá de Xangô de Alagoas e defensor das religiões de matriz africana.
A secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas, falou sobre a importância simbólica e cultural da entrada de Mãe Mirian na Academia.
“Ver Mãe Mirian ocupando esse espaço é ver a história de muitos povos sendo reconhecida oficialmente. Ela carrega a memória, a resistência e a sabedoria ancestral de Alagoas”, afirmou a secretária.
A cerimônia será aberta ao público. O convite feito pelos organizadores é para que a população participe vestida de branco, celebrando a força da ancestralidade e o reconhecimento das religiões de matriz africana como parte da cultura alagoana.