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Após mais de 1 ano internada, adolescente atropelada na véspera de Natal recebe alta e emociona equipe do HGE

Por Agência Alagoas 08/05/2026
Após mais de 1 ano internada, adolescente atropelada na véspera de Natal recebe alta e emociona equipe do HGE
Joyce Roberta recebeu alta após 1 ano e 4 meses internada no HGE, em Maceió (Foto: Thallysson Alves / Ascom HGE)

Na véspera de Natal de 2024, quando muitas famílias se preparavam para celebrar a data, a rotina da dona de casa Elisângela Leite da Silva, de 48 anos, foi interrompida por uma tragédia. Ao lado da filha, Joyce Roberta da Silva Paulino, hoje com 15 anos, ela seguia para retirar uma cesta básica no bairro Vergel do Lago, em Maceió, quando a adolescente foi atropelada.

 

O acidente mudou completamente a vida da família. Joyce sofreu grave traumatismo cranioencefálico (TCE), além de outras complicações clínicas, sendo socorrida em estado grave para o Hospital Geral do Estado (HGE), maior unidade pública de urgência e emergência da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Desde então, iniciou-se uma longa batalha pela vida.

 

“Durante 1 ano e 4 meses, a adolescente permaneceu hospitalizada, parte desse período em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica, onde recebeu assistência contínua de uma equipe multidisciplinar formada por pediatras, cirurgiões, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, intensivistas, enfermeiros, assistentes sociais e diversos outros profissionais”, resumiu o médico pediatra do HGE, Roney Damacena.

 

Nesta quarta-feira (6), a espera chegou ao fim. Ela recebeu alta hospitalar e voltou para casa com suporte de home care, serviço essencial para dar continuidade ao tratamento e à reabilitação. “Eu esperei muito por esse dia. Passei noites chorando, pedindo a Deus que minha filha voltasse para mim. Hoje, estou saindo daqui com ela nos braços do meu coração. O melhor presente de Dia das Mães chegou antes”, disse Elisângela, emocionada.

 

HGE registrou mais de 170 atropelamentos nos primeiros quatro meses de 2026


O traumatismo cranioencefálico é uma das lesões mais graves causadas por acidentes de trânsito. O TCE ocorre quando há impacto direto na cabeça, podendo provocar sangramentos, inchaço cerebral, perda de consciência, sequelas motoras, cognitivas e até risco de morte.

 

Segundo Roney Damascena, médico pediatra do HGE, o caso de Joyce exigiu cuidados intensivos desde a chegada ao hospital. “Ela chegou em estado crítico e precisou de acompanhamento integral. Casos como esse demandam resposta rápida, tecnologia e atuação conjunta de várias especialidades. Cada pequena evolução foi celebrada por todos nós”, explicou o especialista.

 

Os acidentes de trânsito seguem entre as principais causas de internações e mortes no país. Dados do Ministério da Saúde apontam que milhares de brasileiros morrem todos os anos em ocorrências nas vias urbanas e rodovias, enquanto centenas de milhares necessitam de atendimento hospitalar, sobrecarregando o sistema público de saúde.

 

No HGE, de janeiro a abril, 2.178 acidentes de trânsito foram registrados em 2026 (938 colisões, 827 acidentes de moto, 174 atropelamentos, 125 acidentes de bicicleta e 44 capotamentos). No mesmo período do ano passado, foram 1.901 casos (884 colisões, 742 acidentes de moto, 126 atropelamentos, 106 acidentes de bicicleta e 43 capotamentos). Em 2025, a unidade registrou 5.943 casos (2.651 colisões, 2.429 acidentes de moto, 421 atropelamentos, 306 acidentes de bicicleta e 136 capotamentos). E em 2024, foram 5.525 ocorrências, entre colisões (2.524), acidentes de moto (2.113), atropelamentos (458), acidentes de bicicleta (278) e capotamentos (152).

 

“Entre crianças e adolescentes, atropelamentos estão entre os registros mais preocupantes, especialmente em áreas urbanas marcadas por vulnerabilidade social e infraestrutura precária. A falta de calçadas seguras, ausência de faixas de pedestres, iluminação deficiente, sinalização insuficiente, excesso de velocidade, circulação intensa de veículos e carência de espaços adequados para lazer pioram os riscos, uma vez que muitas famílias se deslocarem a pé diariamente, expondo menores a riscos constantes em vias movimentadas e sem proteção adequada”, alertou o pediatra do HGE.

 

Direitos garantidos e acolhimento social

 

Além do atendimento médico, a família de Joyce também precisou de amparo social. Em situação de vulnerabilidade financeira, social e habitacional, os parentes receberam acolhimento e acompanhamento do Serviço Social do HGE, que articulou a garantia de direitos fundamentais para a continuidade do cuidado.

 

Entre as medidas viabilizadas, estiveram encaminhamentos para benefícios assistenciais, acesso ao suporte domiciliar, orientações socioassistenciais e fortalecimento da rede de proteção à paciente e seus familiares.

 

A assistente social Vanessa Azevedo destacou que o cuidado vai além da alta médica. “Quando falamos em saúde, também falamos em dignidade. Nosso papel foi assegurar que Joyce retornasse para casa com estrutura mínima de cuidado, acompanhamento e proteção social para que a recuperação continue no ambiente familiar”, afirmou.

 

Ao longo da internação, a rede de apoio familiar foi fundamental. A tia de Joyce, Magnólia da Silva, 45 anos, acompanhou de perto o sofrimento e a esperança da família. Ela conta que foram meses difíceis, mas nunca deixou de acreditar que a sobrinha iria sair da UTI. “Somos muito gratos a cada profissional que segurou na mão dela e da nossa família. Hoje, saímos daqui renovadas e com o coração cheio de gratidão”, declarou.

 

HGE é referência para os alagoanos

 

Referência em urgência, trauma e alta complexidade, o HGE atende pacientes de todas as regiões de Alagoas, sendo decisivo em ocorrências graves como acidentes de trânsito, AVCs, queimaduras e outras emergências. No caso de Joyce, a estrutura hospitalar e o empenho dos profissionais foram determinantes para transformar um cenário de incerteza em esperança.

 

Enquanto deixava a unidade hospitalar nesta quarta-feira, Elisângela abraçava os profissionais que ela considera como parte da família. Com os olhos molhados, já fazia planos simples e preciosos. “Eu só quero chegar em casa, abraçar minha menina e agradecer. Neste Dia das Mães, o que eu mais queria era estar juntinho dela. Agora vamos ficar. Obrigada, HGE”, despediu-se Elisângela.

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