Júri do caso Davi é retomado e MP endurece discurso: “Não sejamos ingênuos”
Promotor afirma que ausência de corpo não impede condenação, critica estratégia da defesa e emociona família durante sessão
O julgamento do caso Davi da Silva foi retomado nesta terça-feira (5) com um discurso firme do Ministério Público, que rebateu argumentos da defesa e destacou que a falta do corpo da vítima não impede a responsabilização dos acusados.
Logo no início da sessão, o promotor Thiago Riff explicou o papel do Ministério Público no júri e reforçou que o órgão não atua apenas para acusar. Segundo ele, quando não há provas, o próprio MP pode pedir absolvição. “O Ministério Público não é vilão”, afirmou, ao destacar que o julgamento deve se concentrar no crime, independentemente de antecedentes dos réus.
Durante a explanação, o promotor mencionou provas do processo, como o vídeo envolvendo Raniel, considerado peça importante no caso. Ele também ressaltou a dificuldade de ouvir testemunhas-chave, lembrando que uma delas foi assassinada poucos dias após retornar ao estado.
Em um dos momentos mais marcantes, o representante do MP criticou a tese de ausência de materialidade por falta do corpo. “Quando não tem corpo, costumam dizer que a pessoa pode estar viva. Não sejamos ingênuos”, disse, ao comparar o caso com outros julgamentos semelhantes no país.
A fala provocou forte emoção no plenário. O pai de Davi se abalou, chorou durante a sessão e precisou ser retirado da sala, sendo atendido por uma equipe médica.
O promotor também acusou a defesa de tentar atrasar o andamento do processo com medidas judiciais. Segundo ele, houve tentativas de adiar o júri, inclusive com pedidos que acabaram sendo rejeitados pela Justiça.
A defesa tentou interromper em alguns momentos, mas o juiz não permitiu intervenções fora da hora adequada.
O julgamento segue com os debates entre acusação e defesa antes da decisão do júri.