Fraudes em concursos: delegado-geral da PC Alagoas é apontado como chefe de organização
Gustavo Xavier foi citado nas investigações da Polícia Federal
Uma decisão do juiz federal Manoel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal da Paraíba, autorizou, no último dia 18 de fevereiro, a deflagração da Operação Concorrência Simulada pela Polícia Federal. A ação foi realizada na terça-feira (18) e teve como alvo três estados do Nordeste: Alagoas, Paraíba e Pernambuco.
O magistrado atendeu parcialmente aos pedidos de medidas cautelares apresentados no inquérito. Na decisão, o juiz detalha o suposto esquema de fraudes em concursos públicos que, segundo a Polícia Federal, envolveria diversas instituições e unidades da federação.
Entre os pontos destacados, a investigação aponta o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, como possível líder da organização criminosa.
Apesar disso, o magistrado ressalta a necessidade de aprofundamento das apurações quanto ao papel atribuído ao delegado.
“A autoridade policial afirma que Gustavo Xavier ‘passou a ter poder de comando na organização criminosa quando, mediante ameaça, teria induzido Thyago José a cometer fraude em benefício de seus aliados’, indicando como elemento de corroboração a IPJ 165/2025”, registra o juiz.
“No entanto, a análise do referido inquérito, embora aponte com convicção possíveis fraudes em benefício de Aially Soares Tavares Pinto Xavier, no Concurso Nacional Unificado, e de Mercio Xavier Costa do Nascimento, no concurso do Banco do Brasil, não apresenta elementos suficientes que comprovem, com razoável grau de certeza, o papel de comando de Gustavo Xavier na organização criminosa. Tal hipótese não é descartada, mas demanda maior apuração”, acrescenta.
Outro nome citado na decisão é o do policial civil Eudson Matos, apontado pela Polícia Federal como suposto “porta-voz” do delegado-geral — afirmação que, segundo o magistrado, também precisa ser melhor investigada.
Ao autorizar mandados de busca e apreensão, o juiz negou os pedidos de prisão contra os citados e outros investigados no suposto esquema de fraudes em concursos públicos.
*Com informações do portal Acta Alagoas