Entenda como é calculado o desemprego no Brasil
O desemprego oficial do Brasil é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), órgão oficial mantido pelo governo e que opera desde 1936. A taxa terminou 2025 em 5,1%, no menor patamar da série histórica iniciada em 2012. Ficou em 5,4% em janeiro. O cálculo vinha sendo feito desde 1980, mas de forma diferente e não comparável ao que passou a ser realizado a partir de 2012.
Esse recorde é registrado no mesmo momento em que esquenta na sociedade a discussão sobre a confiabilidade dessa estatística de desemprego. É comum em redes sociais e em conversas informais pessoas afirmarem conhecer muitos que estão fora do mercado de trabalho e que, por isso, o dado divulgado pelo IBGE não poderia ser considerado confiável.
O debate e as dúvidas surgem em parte por causa da forma como é calculado o desemprego –e pelo desconhecimento sobre como é produzida essa estatística. O percentual atual de 5,4% se refere só às pessoas com idade para trabalhar (14 anos ou +) que não estão empregadas, mas estão disponíveis e tentam encontrar trabalho. Ou seja: para alguém ser considerado desempregado, não basta só não ter um emprego, tem de querer ter um e estar ativamente procurando uma ocupação nos últimos 30 dias antes de a pesquisa ser realizada pelo IBGE.
Um grande grupo e 2 subgrupos ajudam a entender essa conta:
População em idade para trabalhar (174,86 milhões de pessoas) – são todos com 14 anos ou mais, incluindo estudantes em tempo integral, aposentados e pensionistas:
Força de trabalho (108,52 milhões) – soma dos empregados (102,67 milhões) com os desempregados (5,85 milhões). É considerado desempregado só quem não tem emprego, mas tenta encontrar um. O percentual de desocupação é calculado dentro desse grupo específico: 5,9/108,5 = 5,4%;
Fora da força de trabalho (66,33 milhões) – são os estudantes em tempo integral, aposentados, pensionistas, idosos e/ou pessoas que não querem ou não podem trabalhar por algum motivo, seja doença ou decisão própria. Esse estrato da sociedade não é considerado na conta do desemprego.