Médico do Hospital Dr. Ib Gatto destaca os desafios de diagnosticar as ‘doenças invisíveis’
Nem toda dor é visível aos olhos. Muitas pessoas que procuram atendimento em unidades de saúde convivem diariamente com sintomas que não deixam marcas aparentes, mas, impactam de forma significativa a rotina, o bem-estar emocional e a qualidade de vida. As chamadas “doenças invisíveis”, como a fibromialgia e o lúpus, são exemplos de condições que exigem atenção, escuta qualificada e acompanhamento contínuo, conforme ressalta o médico Pedro Andrade, que atua no Hospital Dr. Ib Gatto Falcão, em Rio Largo.
A fibromialgia é caracterizada por dor crônica generalizada, que pode durar meses ou anos, além de fadiga intensa, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e memória, conhecidas como “névoa mental”, e alterações emocionais, como ansiedade e depressão.
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“Por não apresentar alterações evidentes em exames laboratoriais ou de imagem, o sofrimento do paciente muitas vezes é subestimado, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento”, esclarece o médico do Hospital Dr. Ib Gatto Falcão.
Já o lúpus, segundo Pedro Andrade, é uma doença autoimune crônica, em que o sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do próprio organismo. Os sintomas variam de acordo com cada paciente e podem incluir dores articulares, manchas na pele, fadiga extrema, queda de cabelo, além do comprometimento de órgãos como rins, pulmões e coração.
“A doença costuma alternar períodos de crise com fases de remissão, o que exige acompanhamento médico rigoroso e contínuo”, detalha.
De acordo com Pedro Andrade, a identificação precoce dos sinais da fibromialgia e do lúpus é fundamental. “Quando o paciente relata dor persistente, cansaço extremo, alterações do sono ou sintomas que não melhoram com o tempo, é essencial investigar. Ouvir o paciente com atenção é o primeiro passo para um diagnóstico correto e para evitar o agravamento do quadro”, destaca o médico.
Tratamento
O tratamento das “doenças invisíveis” é individualizado e multidisciplinar. Pode envolver o uso de medicamentos, acompanhamento clínico regular, atividade física orientada, fisioterapia, cuidados com a saúde mental, além de mudanças no estilo de vida, como controle do estresse e melhora da qualidade do sono. O objetivo não é apenas aliviar os sintomas, mas promover mais funcionalidade e qualidade de vida ao paciente.
“Além dos impactos físicos, essas doenças também trazem consequências emocionais e sociais. A dificuldade de explicar uma dor que ‘não aparece’ pode gerar incompreensão, preconceito e isolamento, tornando o acolhimento familiar e o suporte dos serviços de saúde ainda mais importantes”, salienta Pedro Andrade.
Ele enfatiza que a conscientização sobre as “doenças invisíveis” é um passo essencial para reduzir o estigma, estimular o diagnóstico precoce e fortalecer a rede de apoio aos pacientes.
“Quando a dor não aparece, mas existe, informação, empatia e cuidado contínuo são fundamentais para garantir mais dignidade e qualidade de vida a quem convive diariamente com essas condições”, ressalta o médico do Hospital Dr. Ib Gatto Falcão.