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Temporada França-Brasil terá 300 eventos em 15 cidades de agosto a dezembro; confira programação

Meio ambiente, diversidade e democracia são temas principais da iniciativa, que trará ao Brasil participantes de 16 regiões francesas em áreas como artes, cinema, música, moda, literatura, esporte e gastronomia

Por Agência O Globo - 01/07/2025
Temporada França-Brasil terá 300 eventos em 15 cidades de agosto a dezembro; confira programação
(Foto: )

Artes visuais, cinema, música, moda, literatura, esporte e gastronomia. Serão diversos os temas e eventos abordados pela Temporada França-Brasil, iniciativa que tem como objetivo celebrar os 200 anos de relações bilaterais e promover o intercâmbio cultural entre os dois países. A programação foi apresentada nesta terça-feira (1) em coletiva de imprensa no Instituto Tomie Othake, em , da qual participou a diplomata francesa Anne Louyot, comissária da Temporada França-Brasil

Temporada França-Brasil:

Vik Muniz:

No total, serão 300 eventos em 15 cidades brasileiras, de Belém a Porto Alegre, com participantes vindos de 16 regiões francesas, incluindo de territórios ultramarinos. A cerimônia de abertura será em 18 de agosto, no Museu Nacional, em Brasília, com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Emmanuel Macron presentes. Outras aberturas oficiais serão realizadas em Brasília, São Paulo e Belém.

Toda a programação foi estruturada em torno de três temas: meio ambiente, diversidade e democracia. Por aqui, a Temporada francesa foi organizada pelo Institut Français, sob comando de Louyot. Já do outro lado do Atlântico, a programação brasileira, organizada pelo Instituto Guimarães Rosa sob comando do diplomata Emilio Kalil, está em curso desde abril e seguirá até setembro.

Os projetos, tanto aqui quanto lá, nasceram dos encontros entre instituições (festivais, museus, teatros, universidades, empresas e ONGs), artistas, pensadores, pesquisadores e jovens de ambos os territórios. No Brasil, para além da realização de exposições inéditas, shows, debates e conferências, a presença francesa também será forte em eventos já consolidados, como a Bienal de Arte de São Paulo, o Festival de Cinema do Rio e a Festa Literária das Periferias (Flup).

— É um momento de grande emoção. Essa temporada é um evento diplomático onde a cultura tem o papel fundamental de estimular o diálogo. A cultura, nesse caso, como um território aberto, uma ferramenta de encontro e um poder de transformação. Queremos mostrar culturas francesas que os brasileiros ainda não conhecem tão bem, como a França caribenha, e mostrar os pontos em comum que todas compartilham com a cultura brasileira — Louyot, durante o lançamento.

Raul Seixas, 80 anos:

Responsável também pelo ano Ano da França no Brasil em 2009, a diplomata explica que o objetivo do evento anterior era bem distinto do atual. Se hoje o foco está em estreitar os laços entre os países e pensar em uma globalização mais justa e inclusiva, há 16 anos a ideia principal era mostrar uma França contemporânea aos brasileiros, para além de sua história já tão conhecida. Vale lembrar que em 2005, ocorreu também o Ano do Brasil na França.

A Temporada terá o ex-jogador de futebol Raí — que jogou tanto no São Paulo quanto no Paris Saint Germain — como seu embaixador, carinhosamente apelidado de “padrinho”. Em vídeo apresentado durante a coletiva de imprensa, ele reforçou que esse intercâmbio entre os países mudou sua vida profissional e sua visão de mundo. “São países com culturas complementares e que se admiram, será uma troca intensa”.

Além de sua imagem, a Fundação Gol de Letra (criada em 1998 por Raí e pelo também ex-jogador Leonardo) está entre as instituições que participam da Temporada deste ano, em parceria com a francesa Sport Dans La Ville. Ambas ampliaram o programa de intercâmbio franco-brasileiro, que existe desde 2002, e colocaram os jovens participantes como protagonistas de discussões em debates e workshops sobre inclusão, igualdade de gênero, sustentabilidade e esporte como ferramenta de transformação social.

A Temporada ainda prevê para novembro de 2027 a inauguração da primeira sede latino-americana do Centro Pompidou, em Foz do Iguaçu. Como a matriz parisiense, o espaço receberá exposições, espetáculos, cinema, festivais e conferências. O projeto arquitetônico é de Solano Benitez, arquiteto paraguaio premiado na Bienal de Veneza em 2016.

Confira os destaques da Temporada França-Brasil:

Aberturas oficiais

Festival Convergências (Brasília, de 18 a 23/8): Realizado no SesiLab, no Museu Nacional e na Biblioteca Nacional, o evento reunirá música instrumental, exposições, arte circense e debates sobre inovação e cultura. Um dos destaques do festival é o Fórum Juventude e Democracia, que acontece no SesiLab entre 18 e 20 de agosto e reúne 80 jovens franceses e brasileiros para debaterem sobre diversas questões globais, como a democracia cultural e a igualdade de gênero.

“Atomic joy” (São Paulo, em 23 e 24/8): A Pinacoteca receberá a performance de oito jovens dançarinos da Seine-Saint-Denis, do subúrbio parisiense, concebida por Ana Pi, dançarina e pesquisadora, que investiga o segredo coreográfico contido na noção de alegria.

“O poder de minhas mãos” (São Paulo, de 23/8 a 18/1/2025): No Sesc Pompeia, a exposição, que já passou por França e Angola, apresentará obras de artistas africanas, além de artistas brasileiras convidadas especialmente para esta edição.

“Yongoyéli” (Belo Horizonte, em 9/8; São Paulo, em 13 e 14/8): No Teatro Sesi Minas, durante a 23ª edição do Festival Mundial de Circo, e no Sesc Vila Mariana, no Festival Internacional Sesc de Circo, a companhia Circus Baobab apresenta o espetáculo “Yongoyéli”, onde homens e mulheres em suas vidas cotidianas contam suas esperanças por um futuro melhor.

Fórum científico Conexões Amazônicas (Belém, entre 26 e 28/8): Para preparar o terreno para a COP30, o fórum traz um panorama histórico de temas e avanços das pesquisas na Amazônia e apresenta propostas para o futuro da cooperação franco-brasileira, além de projetos que possam contribuir com a situação do clima e do meio ambiente.

Bienal das Amazônias (Belém, entre 29/8 e 30/11): Realizada no Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA), a curadoria de sua segunda edição selecionou cinco artistas franceses (principalmente da Guiana e das Antilhas) para ilustrar a diversidade cultural da região.

Principais projetos dos três eixos

Meio ambiente

“Clima: o novo anormal” (Brasília, de 30/9 a 21/12; Belém, de 16/10 a 17/1): A adaptação da mostra do Museu de Ciências de Paris será realizada no Sesi Lab, Brasília, em Brasília, e no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém. Ainda, passará por Belo Horizonte e por São Paulo (datas e locais a confirmar).

Fórum Econômico Franco-Brasileiro de Transição Energética (Rio de Janeiro, 4/11): O evento discutirá ações para enfrentar a crise climática e contará com a presença do presidente francês Emmanuel Macron.

Diversidade

Festival Nosso Futuro (Salvador, entre 5 e 8/11): Aberto pelos presidentes Lula e Macron, o evento terá exposições, shows, oficinas, exibições e debates.

“Descolonizando museus: modos de fazer”(Recife, de 27 a 30/10): O seminário internacional reunirá representantes de instituições do Brasil, da França, de Senegal e do Benin para discutir como transformar as práticas museológicas.

Democracia

Festival WOW (Rio de Janeiro, entre 24 e 26/11): Organizado pela Rede da Maré, o evento discute justiça sexual e reprodutiva, o papel da mulher na justiça ambiental e na luta contra a pobreza. A delegação francesa será composta por seis intelectuais, artistas, acadêmicas e ativistas francesas.

Projeto Criadores da Periferia (Rio de Janeiro, entre 19 e 23/11): Com encontros e desfiles, a iniciativa, feita pela Casa 93 (instituição francesa voltada para moda e inclusão) e pela Central Única das Favelas (CUFA), tem como objetivo fortalecer iniciativas de criação e moda nas favelas.