Vovós modernas deixam cozinha e tricô de lado e quebram padrões

Vovós modernas deixam cozinha e tricô de lado e quebram padrões

Por | Edição do dia 26 de julho de 2016
Categoria: Alagoas, Notícias | Tags: ,,


Habilidades com trabalhos manuais e maestria na cozinha parecem ser pré-requisitos contidos no “manual das avós” de todo o mundo. Porém, algumas delas sabem bem como quebrar esses e outros padrões, chegando a essa terça-feira (26), Dia dos Avós, com uma programação bem diferente do que ficar sentada esperando a visita dos netinhos.

neide alves

A avó, de 43 anos, faz academia e curte os finais de semana com os amigos (Foto: arquivo pessoal).

Primeiro, é preciso lembrar que nem toda avó é uma senhorinha. Neide Alves, de 43 anos, é prova disso e tem orgulho de dizer que é uma jovem avó. “Eu não gosto de ficar em casa fazendo crochê ou nada do tipo, me sinto muito jovem para isso. Curto muito meu neto, mas não gosto de me imaginar como uma avó de antigamente”, explica.

Domingo não é dia de missa para ela. A avó do Pablo, de dois anos, prefere a combinação praia e cerveja, seja acompanhada dos amigos ou da família. “Trabalho o dia todo e à noite vou para a academia. No sábado, ao meio dia, já estou desocupada do serviço, de cabelo arrumado e unhas feitas, pronta para sair!”, conta Neide, que usa o final de semana para curtir e aliviar o stress da rotina diária.

Outra avó que foge dos padrões é a Maria das Neves. Na casa dela, as cobranças e preocupações ficam por conta da filha e da neta. “Minha filha liga duas vezes por dia e minha neta, quando sai para o trabalho, fica sempre perguntando onde eu estou, com quem eu estou, como vou voltar pra casa”, fala. Isso acontece porque a vovó, de 76 anos, passa boa parte da semana envolvida com atividades fora de casa.

Foto de Maria das Neves em uma rede social usa filtro de apoio ao casamento gay (Foto: redes sociais).

Perfil de Maria das Neves em uma rede social usa filtro de apoio ao casamento gay (Foto: rede social).

“Faço parte do coral lá no SESC e me apresento em escolas e em abrigos para idosos. Depois disso, tenho atividade no Cesmac, toco panderola num conjunto com minhas colegas. Às vezes, acontece de ter alguma festa depois do ensaio com o coral, aí vou com o pessoal e só chego à noite em casa. Minha filha diz que eu não posso ficar andando assim com essa idade, repara! Posso sim menina, enquanto eu puder, eu ando”, afirma.

Das Neves, como gosta de ser chamada, casou-se duas vezes. Hoje é viúva e mora com Camila Guimarães, de 25 anos, sua única neta. “A Camila é uma neta fora de série, mas acho que não puxou nem um quarto de mim. Na idade dela eu era muito danada, fui muito namoradeira, ela não é assim”, diz ela.

Agora, na melhor idade, a avó não quer saber nem de namorado, nem de novos netos ou bisnetos, só quer mesmo viajar e aproveitar a vida de solteira. “Conheço muitas avós que sofrem. Sustentam os filhos já adultos e além disso, ainda tem que cuidar de todos os netos. Isso eu não aceito”, conta.

Chefes de família

Essas avós citadas por Maria das Neves fazem parte dos 62,4% dos idosos responsáveis pelos domicílios brasileiros, segundo Censo2000 do IBGE. Em Maceió, o número representa 12,6%, de acordo com o levantamento do instituto.

Outro dado do Censo que chama atenção é a elevada proporção de domicílios unipessoais (aqueles com um só morador) ocupados por mulheres idosas.

Uma justificativa para esse fenômeno pode ser encontrada no fato de que a viuvez feminina mais elevada determina um crescimento de famílias monoparentais sob responsabilidade feminina ou ainda de unidades domiciliares unipessoais.

Além disso, como os viúvos ou separados costumam casar novamente com maior frequência que as mulheres nas mesmas condições, daí cresce significativamente a diferenciação dos arranjos familiares ou domiciliares em função do gênero e da idade do responsável.

Ainda segundo o IBGE, nos próximos 20 anos, a população idosa do Brasil poderá ultrapassar os 30 milhões de pessoas e deverá representar quase 13% da população ao final deste período.

*Sob supervisão da Editoria 

Veja um outro lado do Dia dos Avós clicando em: Idosos precisam de espaço, acessibilidade e atenção

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