Vítimas de violência doméstica iniciam curso profissionalizante no Senai

Objetivo é proporcionar a independência financeira das mulheres

Vítimas de violência doméstica iniciam curso profissionalizante no Senai

Objetivo é proporcionar a independência financeira das mulheres

Por Redação com assessoria | Edição do dia 22 de novembro de 2021
Categoria: Maceió | Tags: ,,,,


Vítimas de violência doméstica poderão ampliar a chance de independência financeira. Isso porque as mulheres que são atendidas pela Casa da Mulher Alagoana iniciaram um curso de Assistente Administrativo, ofertado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). A ação é uma parceria entre a Prefeitura de Maceió e o Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas (TJ/AL).

Curso foi ofertado por meio de parceria entre a Casa da Mulher, a Prefeitura e o Senai. Foto: Caio Loureiro.

As aulas acontecerão todos os dias, das 7h30 às 11h30, totalizando 160h, e serão concluídas no dia 27 de novembro. A formação contribui, ainda, com a melhoria dos níveis de competitividade das empresas alagoanas.

Leda Américo tem 51 anos, é formada em Recursos Humanos e é instrutora no Senai. “Atuo ativamente na recolocação no mercado de trabalho. Eu gosto de monstrar pra elas as escolhas que elas podem fazer, as opções que elas têm. O desafio é grande, mas busco impactar essas mulheres mostrando seu valor e tudo que elas podem alcançar através da capacitação”, colocou.

“Na maioria dos casos de violência contra as mulheres, os agressores fazem parte do ciclo social das vítimas. Para quebrar esse padrão, elas precisam ter independência. O Município compreende essa realidade e está promovendo essa capacitação justamente com esse objetivo. Essas mulheres precisam de mais iniciativas assim, que garantam sua qualidade de vida. E a gestão do prefeito JHC está completamente comprometida com elas”, garantiu a coordenadora do Gabinete de Políticas Públicas para Mulheres, Ana Paula Mendes.

Solange Ramos tem 53 anos e é uma das beneficiadas pelo curso. Ela conta que, agora, consegue ver um futuro pela frente. “Minha história começou com uma depressão, porque eu estava presa dentro da minha própria casa. Na televisão, vi a Casa da Mulher, procurei eles e, desde aquele momento, tenho conseguido mudar meu destino. Esse curso, sem dúvidas, vai dar independência não só para mim, mas para todas essas mulheres que estão aqui hoje”, contou.

Para a coordenadora da Casa da Mulher Alagoana, a oportunidade será um divisor de águas na vida das mulheres assistidas no prédio. “A partir do momento em que a mulher tem uma qualificação e consegue uma vaga no mercado de trabalho, há uma grande chance dela sair do ciclo de violência. Abre-se uma luz na vida dessa mulher para que ela possa se libertar”, afirma Érika Lima.

“Eu tinha muito medo, só vivia trancada e meu ex chegou até a me ameaçar de morte. Um dia, criei coragem e saí em busca de meios pra sair daquela situação. Eu acredito que esse curso vai mudar minha vida, pois vai me dar coragem, força e mais autoestima através da autonomia financeira”, pontuou Maria Cicera da Silva, uma das mulheres presentes na capacitação.

Empregos garantidos

Em parcerias com empresas de diferentes segmentos, a Prefeitura de Maceió já garantiu a inserção de algumas das alunas no mercado de trabalho. Ao término do curso, elas ocuparão seus cargos no setor administrativo.

“Precisamos unir todos os setores no combate à violência contra a mulher. Nós já conseguimos algumas vagas, mas vamos lutar por muitas outras e ainda mais cursos, em diferentes áreas. Agora, podemos dizer que as mulheres de Maceió não estão sozinhas, pois a Prefeitura está do lado delas”, finalizou Ana Paula.

Índices da violência

Em março deste ano, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que, dentre as vítimas de violência, 25% delas reconheceram que a perda do emprego e renda contribuíram para a concretização das agressões.

Atualmente, uma em cada quatro mulheres acima dos 16 anos afirma já ter sofrido algum tipo de agressão. Considerando um total de 4,3 milhões de mulheres, é possível afirmar que, a cada minuto, oito brasileiras foram agredidas no país.

Com a pandemia, a situação ficou ainda mais grave, pois a participação de mulheres no mercado de trabalho chegou ao nível mais baixo desde 1990. A crise retirou 45,8% mulheres dos seus cargos somente no primeiro trimestre deste ano.

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