Veterinária formada em Maceió morre vítima da “doença da urina preta”

Priscyla Andrade apresentou os sintomas da doença de Haff cinco horas depois de consumir o peixe

Veterinária formada em Maceió morre vítima da “doença da urina preta”

Priscyla Andrade apresentou os sintomas da doença de Haff cinco horas depois de consumir o peixe

Por Thatyana Ferreira - estagiária sob supervisão | Edição do dia 3 de março de 2021
Categoria: Brasil, Notícias, Saúde | Tags: ,,


Foto: Reprodução/ Redes Sociais

A veterinária Priscyla Andrade, de 31 anos, morreu nesta terça-feira (2), vítima da Síndrome de Haff, popularmente conhecida como doença da urina preta. Priscyla estava internada na UTI do hospital Português Agamenon, no Recife, desde o dia 17 de fevereiro, cinco horas depois de consumir o peixe da espécie Arabaiana.

Priscyla havia consumido o peixe junto com sua irmã, Flávia de Andrade, de 36 anos, em um almoço de família na casa da Flávia. As duas deram entrada no hospital juntas apresentando sintomas como aumento da pressão arterial, rigidez nos músculos e dores no corpo, mas enquanto Flávia teve alta no dia 24 de fevereiro, Priscyla continuou na UTI em estado grave. 

A morte da veterinária foi confirmada pela mãe dela, Betânia Andrade, em publicação no instagram. No dia 22 de fevereiro Betânia havia publicado na mesma rede social uma alerta em relação à doença e informando o que tinha acontecido com as filhas. Na publicação do dia 22 uma amiga da família afirmou que seu pai também havia contraído a doença após consumir o peixe da espécie arabaiana. Priscyla é natural de Pernambuco, mas estudou em uma faculdade de Maceió, onde conseguiu seu diploma. Além de ser veterinária, ela também participava de vaquejadas.

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“Priscyla, o céu hoje estará te recebendo com muita luz na casa do pai e aqui jamais esqueceremos a sua humildade, caráter da sua eficiência profissional, meiga, linda, alegre, sorridente e cheia de luz. Seu sorriso vai ficar na minha memória eternamente. Seus pais, irmãos, sobrinhos, Matheus, parentes e amigos. Deus te receba de braços abertos, minha filha linda”, escreveu Betânia Andrade na despedida.

Despedida publicada pela mãe de Priscyla (Foto: Reprodução/ Redes Sociais)

A doença é rara, tanto que entre os anos de 2017 e 2021 apenas 15 casos da síndrome foram registrados em Pernambuco e de acordo com a Secretaria de Saúde do estado mais cinco pessoas estão com suspeita de terem contraído a doença, os casos estão sendo investigados. 

Entendendo a Síndrome de Haff

A Síndrome de Haff, é popularmente conhecida como doença da urina preta. Acredita-se que ela seja transmitida por uma toxina encontrada em peixes de água doce e crustáceos, mesmo que eles estejam limpos e preparados corretamente. Não há informações sobre a maneira de identificar se o peixe está contaminado, mas há especialistas que afirmam relações entre a forma de armazenar ou limpar o peixe com o surgimento da toxina.  Os peixes mais associados à doença são os da espécie Arabaiana, Badejo, Pacu Manteiga Minusomo, Lipteroterco.

Os sintomas aparecem entre duas e 24 horas após o consumo do alimento contaminado, sendo o mais comum a urina com uma tonalidade escura, semelhante à cor do café. Outros indícios da doença são a falta de ar, perda de força e ruptura das células, o que causa dor e rigidez nos músculos. A doença evolui rápido e a longo prazo pode causar insuficiência renal, falência múltipla dos órgãos e até a morte.

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