Vacinação contra dengue no Paraná não segue recomendação da OMS

Vacinação contra dengue no Paraná não segue recomendação da OMS

Por | Edição do dia 22 de setembro de 2016
Categoria: Notícias, Saúde | Tags: ,,,,,,


O Estado do Paraná promove há pouco mais de um mês uma campanha de vacinação gratuita contra a dengue em 30 municípios, mas não segue parâmetros recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde). O órgão diz que pelo menos 50% da população tem de ter entrado em contato com o vírus, caso contrário, a vacinação poderia trazer riscos para a saúde das pessoas ou ser menos eficaz.

O governo do Paraná não tem os dados exigidos pelo critério da OMS sobre quantas pessoas já tiveram dengue. Um levantamento feito sob encomenda do Ministério da Saúde aponta que, no Estado, esse número é de cerca de 30%, segundo Marcelo Burattini, responsável pela pesquisa. A Secretaria de Saúde do Estado diz ter chegado a um valor de 80% por estimativa, mas não quis mostrar como a conta foi feita. A campanha de vacinação até o momento tem pouca adesão.

As autoridades de saúde [do Paraná], na falta destes dados, deveriam considerar primeiro uma pesquisa em pequena escala de quantas pessoas já foram infectadas pelo vírus antes de decidir sobre a introdução da vacina. (…) Nós ou nossos colegas da OPAS certamente ficaríamos felizes em aconselhar as autoridades de saúde do Paraná”, afirma conselheiro da OMS, Joaquim Hombach.

O que diz a OMS?

A OMS indica a introdução da vacina apenas onde a soroprevalência, ou seja, a quantidade de pessoas que já foram infectadas pelo vírus, tenha alcançado 70% ou mais do público-alvo da campanha. A imunização não é recomendada quando essa porcentagem estiver abaixo de 50%.

A precaução da OMS deve-se ao fato da Dengvaxia, nome da vacina, ter sido testada para segurança e eficácia apenas em locais com soroprevalência alta. Além disso, a vacina é mais indicada para pessoas que já contraíram dengue. Isso porque foi verificado um aumento do número de casos de dengue severa e de hospitalizações entre crianças que tomaram a vacina na fase de testes, três anos após a primeira dose. A vacina é aplicada em três doses com intervalo de seis meses entre cada uma.

Como a maioria dessas crianças nunca tinha sido infectada pela dengue, especialistas defendem, em dois estudos publicados separadamente, que a vacina pode ser prejudicial para pessoas de qualquer idade jamais infectadas.

O Paraná tem muita dengue?

Não há dados oficiais de soroprevalência no Paraná. O que existe hoje é um resultado preliminar de uma pesquisa do Ministério da Saúde, feita nos moldes indicados pela OMS, que auxiliará as estratégias de vacinação contra a dengue no país. E ela indica que o Paraná não se enquadra no critério para a vacina.

Burattini, professor de infectologia e medicina tropical da USP (Universidade de São Paulo), diz que a soroprevalência nas duas cidades paranaenses com maior incidência de dengue – Londrina e Foz do Iguaçu – é de cerca de 30%. Ou seja, menor do que o mínimo recomendado pela OMS. “O Paraná não tem nenhuma cidade que alcance isso [50% de infectados por dengue]”, revela.

 

 

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