Uso de animais terapêuticos esbarra no preconceito

Falta de conhecimento e aceitação dificultam o trabalho de profissionais da área

Uso de animais terapêuticos esbarra no preconceito

Falta de conhecimento e aceitação dificultam o trabalho de profissionais da área

Por | Edição do dia 14 de junho de 2016
Categoria: Blog, Notícias, Saúde | Tags: ,,,


 Foto: divulgação

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Realizada por cães, gatos, cavalos, coelhos e até golfinhos, a Terapia Assistida por Animais (TAA) pode auxiliar no tratamento de diferentes distúrbios e deficiências. Apesar da comprovação científica dos benefícios para os pacientes, a TAA ainda esbarra na falta de conhecimento de algumas pessoas, que enxergam com maus olhos o uso de animais dentro de hospitais ou de espaços fechados, com crianças e pessoas doentes.

Em Maceió, o projeto Focinhos Terapeutas tenta desconstruir essas concepções, realizando o trabalho há cinco anos. Tudo começou como um projeto de extensão do curso de Educação Física, no Cesmac, idealizado pela professora Maja Kraguljac, utilizando cães para auxiliar nos exercícios com pessoas obesas na clínica de Nutrição da instituição.

“Acompanhei alguns casos de doença na minha família, decidi pesquisar e vi na prática como o animal pode trazer benefícios. Quando cheguei a Maceió, vi a oportunidade de desenvolver trabalhos nessa área a partir de um edital lançado pela faculdade. Como sou professora da Educação Física e da Medicina Veterinária, comecei os atendimentos junto com alguns alunos. Usamos metade do ano de 2011 para estudar e estruturar o projeto”, conta a coordenadora.

Lucas Fittipaldi, que hoje atua na área de saúde mental pelo SUS, participou como voluntário do projeto três anos atrás, auxiliando crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). “A TAA estava sendo introduzida no cenário das tecnologias em saúde e houve muita resistência por parte dos pais, que temiam pela segurança das crianças e por medo de contaminação. Trabalhávamos exclusivamente com cães e todos eram treinados e devidamente higienizados para a participação nas atividades”, explica.

A atividade é complementar, sendo mais uma no acompanhamento que as crianças recebem em sua rotina normal de atividades, com profissionais da área da Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Pedagogia, Psicologia e Educação Física.

“Os benefícios psicológicos estão atrelados à presença do animal terapeuta, que deixa o paciente mais tranquilo. Os animais não nos julgam, é aquilo que chamamos de amor puro, fora que eles proporcionam uma maior socialização com outras pessoas. Em relação aos benefícios fisiológicos, há uma melhoria na pressão arterial, desaceleração da frequência cardíaca, diminuição do cortisol, o hormônio do estresse e maior fluxo de endorfinas, os hormônios do bem-estar, liberados a partir do contato visual ou com o pelo do animal por, no mínimo, 15 minutos”, explica Maja Kraguljac.

Os animais terapeutas são de famílias que apoiam o projeto, dos voluntários e da própria coordenadora. Os cães têm acompanhamento veterinário contínuo com as clínicas parceiras e devem estar com a saúde sempre em dia para poder ter contato com os pacientes.

O maior problema hoje é a aceitação da terapia por pessoas de fora, que não têm conhecimento dos benefícios que ela pode trazer. Os pais das crianças que participam da terapia foram devidamente conquistados pelos animais e são os que mais apoiam, divulgando o projeto e convidando outros pais a levarem seus filhos.

Uma ajuda importante, uma vez que os resultados da TAA dependem muito do ambiente familiar e da rotina do paciente, no que se refere à alimentação, hábitos e frequência com que participa das atividades.

A interação do público com os animais se dá também por meio de eventos organizados pelo projeto. Na próxima quinta-feira (16), o Focinhos Terapeutas realiza um Mini Curso Teórico-Prático sobre Intervenções Assistidas por Animais no Autismo, no Auditório da OAB/ESA em Jacarecica.

Imagem: divulgação

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Um passo à frente

Nos Estados Unidos, cães já entram em hospitais há mais de vinte anos e na Europa, as faculdades de Medicina e de Veterinária atuam juntas, na chamada One Health (Saúde Única).

“Fora do país, já se considera que não há diferença em tratar saúde do ser humano e do animal. Em São Paulo, a TAA avançou muito nos últimos cinco anos, mas o resto do Brasil ainda está muito devagar com relação a isso”, conta a coordenadora do Focinhos Terapeutas.

Prova disso foi o projeto piloto realizado pelo Instituto Nacional de Ações e Terapia Assistida por Animais (INATAA), que utilizou cães na assistência de crianças refugiadas, vindas de Angola e do Congo, com o intuito de criar um ambiente receptivo nas casas de passagem em São Paulo.

Como acessar

A TAA tem sido eficaz no desenvolvimento físico, psíquico e social de quem participa, sendo utilizada por pessoas com esquizofrenia, deficiência visual, distúrbio de atenção e até insônia.

O projeto Focinhos Terapeutas realiza ações na Associação dos Amigos Autistas (AMA) e promove visitas pontuais em lares de idosos e orfanatos, levando um pouco de carinho e alegria para todas as idades.

Além disso, a terapia auxilia crianças com síndromes tanto ortopédicas como neurológicas, atua na prática de exercícios físicos com pacientes da clínica de Nutrição e trata também dos próprios funcionários do Cesmac, aliviando o estresse e promovendo o bem-estar.

O atendimento é gratuito e prestado às terças-feiras das 7h30 às 11h para os pacientes da Clínica Escola de Fisioterapia e das 13h às 14h para as crianças autistas. Ambos os serviços são realizados no Cesmac.

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