‘Um crime político, não tenho dúvidas’, diz viúva do vereador Luiz Ferreira

Entre declarantes e testemunhas, está prevista a oitiva de nove pessoas durante júri popular conduzido pela 9ª Vara Criminal de Maceió

Por | Edição do dia 16 de fevereiro de 2017
Categoria: Notícias, Política | Tags: ,,,


Rita Namé, viúva da vítima, depõe perante o Tribunal do Júri. Fotos: Isaac Neves.

Rita Namé, viúva da vítima, depõe perante o Tribunal do Júri. Fotos: Isaac Neves.

O júri de três dos acusados de matar o vereador do Município de Anadia Luiz Ferreira de Souza teve início na manhã desta quinta-feira (16), conduzido pela 9ª Vara Criminal de Maceió, no Fórum do Barro Duro. A viúva, Rita Luiza de Pércia Namé, reiterou que aponta a então prefeita de Anadia, Sânia Tereza Palmeira Barros, como mandante do crime.

“Um crime político. Não tenho dúvidas disso. Eu não tive na hora que recebi a notícia. Eu aponto a ex-prefeita da cidade e o marido”, afirmou Rita. Segundo a viúva, pessoas ligadas à prefeita iam a sua casa para convencer o vereador a aprovar o orçamento do Município, e Luiz Ferreira foi morto “por não compactuar com as falcatruas de uma Prefeitura totalmente dominada por bandidos”.

Indagada, ela também falou sobre a falta que o esposo faz no dia-a-dia da família. “A mim, retiraram o chão. Eu só estou viva, e meus filhos, pelo grande amor que tenho por ele. Anadia e Alagoas sabem quem era o meu marido. Era considerado o anjo da guarda do pronto-socorro. Meus filhos perderam o pai da noite para o dia. Eles estavam todos na faculdade. Espero que a justiça pode ser feita. Porque a injustiça já foi feita, que foi a morte dele”.

Entre declarantes e testemunhas, está prevista a oitiva de nove pessoas durante o júri. Sete indicadas pela acusação e duas pelo acusado Alessander Ferreira Leal, identificado como marido da prefeita, na época. Os três réus também serão interrogados: Alessander, Everton Santos de Almeida e Tiago dos Santos Campos.

O juiz Geraldo Amorim, titular da 9ª Vara, afirmou que o júri pode se estender pela noite. “Vai ser um júri trabalhoso em decorrência da quantidade de testemunhas”, disse. Após os depoimentos, terão início os debates entre acusação e defesa. Há a possibilidade de o julgamento ser suspenso, e retomado na sexta-feira.

Por ter foro por prerrogativa de função, a prefeita Sânia Tereza aguarda, em prisão domicilar, o julgamento pelo Pleno do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL). Outros dois acusados, Adailton Ferreira e Wallemberg Torres da Silva, recorreram da decisão que determinou o júri, e esperam julgamento do recurso pelo TJ.

Acusação

O promotor Paulo Barbosa Filho, do Ministério Público de Alagoas, ressaltou que as investigações revelaram que todos os acusados mantiveram contato telefônico constante. “O réu Alessander era o coordenador, que recebia ordens diretamente da prefeita. Todos os passos da quadrilha eram diretamente comunicados à mandante. Do dia 30 de agosto a 2 de setembro, existiam 33 ligações de celular dele (Alessander) para o da ex-prefeita”.

Barbosa afirma que o vereador tinha a postura muito ativa, e “batia de frente” contra as irregularidades da prefeita. “O Ministério Público considera que foi queima de arquivo. O motivo foi ocultar as informações que vítima sabia a respeito das fraudes realizadas pela Prefeitura de Anadia. Foi um trabalho muito bem arquitetado, mas não existe crime perfeito”, argumentou.

A acusação é assistida pelo advogado Cláudio Vieira, contratado pela família.

Defesa

A defesa do réu Alessander Leal é feita pelo advogado Raimundo Palmeira. Ele sustenta que Luiz Ferreira era aliado político de Sânia, não havendo motivo para o crime. “A defesa no curso (do processo) provou que ele era o candidato dela. Inclusive ela diz isso na imprensa”, ressaltou.

De acordo com o advogado, a acusação já mudou de tese sobre a motivação do assassinato por duas vezes. “Hoje a acusação vem com uma terceira tese, uma tese estranha aos autos, porque todas as [outras] caíram. Vem dizer que a morte foi por suposto desvio de R$ 7 milhões em combustível. Sânia até hoje não tem condenação por desvio nenhum. Dr. Luiz era um homem de bem e não iria ver um desvio desse e ficar calado”, defende Raimundo Palmeira.

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