Técnica de B-Lynch é realizada pela primeira vez na Maternidade Escola Santa Mônica

Procedimento poupa a paciente da necessidade de histerectomia

Técnica de B-Lynch é realizada pela primeira vez na Maternidade Escola Santa Mônica

Procedimento poupa a paciente da necessidade de histerectomia

Por Assessoria | Edição do dia 22 de fevereiro de 2021
Categoria: Alagoas, Saúde | Tags: ,,


Referência no atendimento de pacientes de alto risco em Alagoas, a Maternidade Escola Santa Mônica (MESM), unidade de apoio assistencial da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), realizou pela primeira vez uma técnica de sutura compressiva uterina para casos de hemorragia pós-parto à atonia uterina – que corresponde à perda da capacidade de contração do útero após o parto, o que aumenta o risco de hemorragia pós-parto – e que não responderam às medicações. Trata-se da técnica de B-Lynch, uma possibilidade cirúrgica com menor risco em relação às técnicas tradicionais.

A médica Karine Aderne, ginecologista e obstetra da maternidade, foi a responsável pelo procedimento. De acordo com ela, o útero da paciente não contraiu, mesmo após o uso de medicações, assim a técnica foi realizada para evitar a retirada do útero da paciente (histerectomia). “Foi a primeira vez que utilizei a técnica de B-Lynch. Eu já conhecia, mas nunca tinha visto nenhum colega fazer e também nunca havia tido a oportunidade de realizar o procedimento”, disse Karine e complementou “a cirurgia de B-Lynch é indicada porque ela poupa a paciente da histerectomia. Além disso, a recuperação é mais rápida e a paciente pode gestar novamente após um período de dois anos, o mesmo indicado no caso de uma cesariana, por exemplo”.

Herysttawo Ramos, ginecologista e obstetra que fez parte da equipe de profissionais no parto, disse que a técnica de B-Lynch já é utilizada em outros estados, mas em Alagoas ele ainda não havia visto a realização do procedimento. “Nós utilizamos todo o suporte de medicamentos, porém a paciente começou a não responder a medicação, foi quando pensamos na técnica de B-Lynch”, lembrou Herysttawo e complementou “eu conhecia a técnica, mas, assim como Karine, nunca havia feito o procedimento”.

Médicos que realizaram a técnica na Maternidade Escola Santa Mônica   (Foto: Assessoria)

Para Karine, esse procedimento precisa ser mais divulgado, tendo em vista que, até na literatura médica, há poucos casos publicados com o uso da técnica de B-Lynch. “É uma técnica simples. Um profissional que consegue executar uma cesariana consegue facilmente executar também a B-Lynch, entretanto esse procedimento é ainda pouco conhecido pelos profissionais, pois nada mais é do que uma sutura que contém o útero”, afirmou a médica.

A paciente

Sayonara da Silva Souza, de 27 anos, foi a paciente submetida ao procedimento de B-Lynch na Maternidade Escola Santa Mônica (MESM). De acordo com Sayonara, o parto foi muito rápido “mas logo percebi que havia alguma coisa se complicando, devido a conversa dos médicos. Eu tentei ficar calma e entreguei nas mãos de Deus e, no final, deu tudo certo. Os médicos me acalmaram. A equipe foi maravilhosa”.

Paciente Sayonara da Silva Souza (Foto: Assessoria)

Sayonara já teve alta da maternidade, mas como mora no município de Batalha, deve permanecer na MESM como mãe acompanhante, já que sua bebê, que nasceu com uma má formação, ainda está internada da Unidade de Cuidados Intermediários (UCI Neo). “Eu estou muito feliz. Minha bebê foi operada um dia após o nascimento, deu tudo certo. Agora é esperar a recuperação dela”, disse Sayonara e complementou “o sentimento é de gratidão. Eu agradeço muito a toda a equipe da maternidade”.

A técnica

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) estimam que 20 milhões de casos com morbidade materna anualmente têm como causa a hemorragia pós-parto (HPP). Nos países em desenvolvimento, o risco de morte materna por HPP é de aproximadamente 1 em 1000 partos.

Diferentes métodos têm sido descritos para o tratamento da HPP secundária a atonia uterina. O tratamento inicial consiste em massagem uterina e no uso de medicamentos. A histerectomia é utilizada como última opção, tendo em vista que acarreta morbidade cirúrgica adicional, além das sequelas definitivas como a infertilidade da paciente.

Em 1997, Christopher B-Lynch e outros pesquisadores relataram a aplicação de uma técnica de sutura compressiva em cinco pacientes com diagnóstico de HPP de etiologia variada, incluindo atonia uterina, placenta acreta e coagulopatia, obtendo bons resultados. O objetivo desta técnica é aproximar a parede uterina anterior da posterior até não deixar espaço na cavidade uterina, evitando, deste modo, a hemorragia.

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