Tailândia exibirá em Cannes seu 1º filme em cores, após 60 anos perdido

Tailândia exibirá em Cannes seu 1º filme em cores, após 60 anos perdido

Por | Edição do dia 19 de maio de 2016
Categoria: Cinema, Diversão | Tags: ,,,


O primeiro filme tailandês filmado em 35 milímetros e em cores, “Santi-Vina” (1954), será exibido nesta quinta-feira (19) no Festival de Cannes, ao qual chega após ficar perdido durante seis décadas em uma filmoteca britânica.

O filme, que conta a dramática história de amor entre um rapaz cego e uma menina em uma aldeia tailandesa, será projetado na sessão de cinema clássico do festival.

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Foto: Festival Cannes

“Santi-Vina” foi o primeiro filme tailandês que obteve o reconhecimento internacional ao conquistar os prêmios de melhor fotografia, direção de arte e uma menção especial no Festival de Cinema Ásia-Pacífico em Tóquio em 1954.

“Por trás de como o filme foi encontrado após tantos anos também há uma boa história”, comentou Sanchai Chorirosseranee, diretor-adjunto do Arquivo de Cinema da Tailândia, situado em Salaya, distrito ao norte de Bangcoc.

O filme foi dirigido por Thavi “Kru Marut” na Bangchang, com roteiro de Vichit Kounavudhi e produzido por Ratana Pestonji, fundador dos estúdios Hanuman Pappayon e um dos cineastas pioneiros na Tailândia após a Segunda Guerra Mundial.

Ao retornar do festival de Tóquio para a Tailândia, Ratana teve um problema com a alfândega porque os agentes pediram que o produtor pagasse impostos pelo filme. De acordo com Sanchai, “Ratana se incomodou tanto que decidiu enviar todos os negativos do filme para o Reino Unido”.

O cineasta tailandês estudou engenharia na Inglaterra, onde filmou seu primeiro curta-metragem, intitulado “Teng”, que foi premiado em um festival de Glasgow, na Escócia, cujo júri contava com o diretor Alfred Hitchcock.

Ratana, que tinha mais prestígio do que sucesso comercial, rodou oito filmes ao longo da carreira, mas o único premiado internacionalmente foi “Santi-Vina”. No entanto, os negativos foram extraviados no Reino Unido e todos os consideraram desaparecidos até 2012.

“Um amigo meu que é crítico de cinema estava buscando filmes tailandeses no Instituto Britânico de Cinema e encontrou os negativos de ‘Santi-Vina'”, contou o diretor adjunto do Arquivo de Cinema da Tailândia.

O crítico e estudante de cinema Alongkot Duangmai entrou em contato com a filmoteca tailandesa e começaram as buscas para encontrar os negativos da rodagem.

Outras duas cópias do filme apareceram entre 2013 e 2014 na China e na Rússia, mas eram cópias em “positivo” que não podem ser duplicadas.

O Instituto Britânico de Cinema (BFI) encontrou em 2015 o filme, que se encontrava em um arquivo com numeração errada. O filme estava bastante deteriorado, mas foi restaurado graças a um longo e minucioso trabalho dos laboratórios L’Immagine Ritrovata em Bolonha, na Itália.

Como outros filmes dirigidos ou produzidos por Ratana, “Santi-Vina” tem um cenário budista que se reflete no decorrer da complicada história de amor entre Santi, o jovem cego criado em um templo, e Vina, a moça que contraria a vontade de sua família, que prefere outro pretendente mais rico.

O cineasta tailandês, nascido em família de origem persa, experimentou diferentes gêneros, inclusive o cinema noir, mas sempre lamentou a falta de ajuda do governo.

Durante uma conferência com cineastas e ministros do governo em 1970, Ratana desmaiou enquanto discursava e morreu poucas horas depois no hospital devido a uma parada cardíaca.

Três dias depois, o governo tailandês fundou a Junta para a Promoção do Cinema Tailandês, organismo criado para apoiar a produção de filmes tailandeses.

A falta de apoio oficial a Ratana foi comparada com o baixo interesse na Tailândia pelo diretor mais famoso do país internacionalmente, Apichatpong Weerasethakul, ganhador da Palma de Ouro em Cannes em 2010 por “Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”.

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