Com quase 50 anos de carreira, o cantor e compositor Martinho da Vila está em Alagoas para lançar um livro na 8ª Bienal Internacional do Livro e participar de debate sobre questões raciais durante o Ciclo de Nacional de Conversas Negras, neste sábado (30), no Teatro Gustavo Leite, no Centro Cultural e de Exposições, no bairro do Jaraguá.

Durante coletiva de imprensa realizada nessa quinta-feira (28), o sambista convidou os alagoanos para curtir tudo que o evento proporciona. Para ele, a Bienal abriga muito mais que livros.  “Venham à Bienal e não só para me ver. Tenho certeza de que vocês vão gostar”, convidou.

Aos 79 anos, o cantor é embaixador da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e cursa Relações Internacionais. O livro lançado é intitulado Conversas Cariocas e é uma coletânea de crônicas publicadas em jornais, que foram reunidas pela Editora Malê.

Martinho da Vila foi convidado pelo Instituto Raízes de África para proferir a palestra principal do 8° Ciclo de Nacional de Conversas Negras, com o tema Conversa sobre territórios, desterritorialização e a reterritorialização, sob a ótica racial e de gênero.

“Racismo é algo de berço. Essas feiras literárias são fundamentais nessa quebra, porque são discutidas essas questões que passaram anos sem ser abordadas. É um trabalho devagar, mas a gente chega lá”, avalia Martinho.

"A presença do Martinho vai atrair um público amplo e diverso para dentro da discussão social", ressaltou a presidente do Instituto Raízes de África, Arísia Barros,

 

8° Ciclo de Nacional de Conversas Negras

Depois de seis anos, o Ciclo Nacional de Conversas Negras volta a ser realizado em seu Estado de origem com o tema: Conversa sobre territórios, desterritorialização e a  reterritorialização, sob a ótica racial e de gênero. A proposta do evento é aprofundar o diálogo social sobre o racismo estrutural. As últimas edições aconteceram em Goiás e Brasília.

Em parceria com a Secretaria da Ressocialização e Inclusão Social (Seris), o Instituto Raízes de África vai levar nesta edição reeducandas à Bienal Internacional do Livro. Elas atuarão como integrantes da mesa de debates e cerimonialistas do evento.

Além disso, um grupo de crianças da periferia vai homenagear o músico Martinho da Vila em uma apresentação cultural e haverá palestra sobre a relação África e Brasil quanto ao racismo.

Para participar do Ciclo de Conversas Negras basta inscrever-se por e-mail com nome, instituição e número do celular para raizesdeafricas@gmail.com.

Serviço

8° Ciclo de Nacional de Conversas Negras programação da Bienal Internacional do Livro de Alagoas

Data: Sábado (30), das 10h às 18h

Local: Teatro Gustavo Leite, Centro de Convenções

O sentimento de pertencer a uma cultura e ter sua história respeitada é uma das principais privações entre as comunidades quilombolas. Na tentativa de quebrar este processo de invisibilidade e promover o autorreconhecimento entre os povos, os professores do polo Barro Vermelho, localizado no município de Belém, em Alagoas, participaram de uma oficina simbólica identitária conduzida pelo Instituto Raízes da África.

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Identificar histórias que representam a cultura das comunidades quilombolas é o primeiro passo para a consolidação do valor de pertencimento (Foto: divulgação)

A proposta surgiu da iniciativa da própria coordenação das escolas quilombolas da cidade, que assinalaram fragilidades na identificação do “ser preto”, sobretudo, no âmbito de ensino. Como consequência, os alunos não desenvolvem interpretações adequadas sobre sua realidade e especificidades culturais, que, por sua vez, são expressas por meio da presença das resistências.

Idealizador do encontro e coordenador do polo de escolas quilombolas, o professor José Ilalo da Silva, explicou que projeto busca resgatar a cultura negra na comunidade. Segundo ele, dentro do polo existem quatro escolas, mas apenas uma delas é quilombola.

"Ainda sofremos com o preconceito, muitos não aceitam os negros. Por isso, com o projeto, queremos um trabalho dentro das escolas durante todo o ano letivo e, futuramente, queremos estender o projeto para todo o município", destacou José Ilalo da Silva.

Contudo, para a coordenadora do Instituto Raízes da África, Arísia Barros, antes de definir qualquer processo identitário é preciso ouvir e entender as demandas do povo quilombola. Para isso, a absorção de saberes e histórias que representam a cultura das comunidades é o primeiro passo para a consolidação do valor de pertencimento, não apenas nas escolas, mas nos diferentes espaços sociais.

“É enorme a carência de reconhecimento ainda entre os quilombolas. Não há uma leitura e compreensão da história destes povos; há uma neutralização latente sobre a questão do racismo, por exemplo. Sentimos esta fragilidade durante o encontro. É preciso quebrar com esta invisibilidade imposta aos diferentes grupos sociais e propagar o sentimento de pertencimento entre eles”, destaca Arísia Barros.

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