Superstições movimentam venda de ervas para o réveillon

Segundo raizeiros do bairro da Levada, em Maceió, o fim de ano representa muita procura por banhos de cheiro e de descarrego

Por | Edição do dia 31 de dezembro de 2019
Categoria: Especiais | Tags: ,,


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Em diversas barracas, os donos afirmam que o conhecimento sobre as ervas em benefício do corpo e da alma é uma tradição de família. Foto: Carol Amorim

A chegada do Ano Novo representa festividade, confraternização com pessoas queridas e também o encerramento de um ciclo, representado pelo término de um ano e a chegada de outro. E em meio às diversas celebrações, há quem reserve um tempo para a prática de superstições. Nesta época do ano, os raizeiros do bairro da Levada, em Maceió, não têm do que reclamar, já que o banho de cheiro ou de descarrego está entre as principais procuras das barracas do local.

Em diversas barracas da localidade, os donos afirmam que o conhecimento sobre as ervas em benefício do corpo e da alma é uma tradição de família. “Apesar de ter essa barraca há um ano, tenho esses conhecimentos desde criança, aprendi com a minha família. Além da minha barraca, aqui tem outras de parentes de parentes meus”, conta Edith Azevedo, dona de uma das barracas que vende ervas no local.

Ela afirma que o movimento nas barracas é constante, em qualquer época do ano, mas que no final do ano, por causa do réveillon, há quem procure por defumadores, incensos e ervas para fazer banho cheiroso ou de descarrego.

“Os defumadores e incenso servem para limpar o ambiente. Já o banho de cheiro tem a função de abrir os caminhos. O banho de descarrego também representa limpeza”, contou.

Receita

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Ervas utilizadas no banho de descarrego e no banho cheiroso. Foto: Carol Amorim

Ela diz que, quem deseja fazer o banho, é simples, que basta a pessoa misturar as ervas na água e depois se banhar. Porém, cada banho tem o jeito diferente para ser tomado. “O de cheiro a pessoa toma da cabeça aos pés. Já o de descarrego, é tomado apenas do pescoço até os pés”, ensinou.

Quando perguntada quais ervas são usadas para os banhos, ela conta que, entre as diversas ervas que compõem o banho cheiroso, está o alecrim, o levante, a malva rosa. Já no banho de descarrego está o pinhão roxo, malva risca e outras.

Edith ainda conta que os banhos podem ter sete, quatorze ou vinte uma ervas. Ela frisa o fato dos banhos terem quantidade impar no número de ervas. O motivo, ela desconhece, mas ressalta que foi ensinada dessa forma. Além disso, os banhos também podem ser tomado às 6h, meio-dia ou meia-noite, ao depender de cada pessoa.

“A pessoa que tiver com urgência, com alguma doença, por exemplo, não vai esperar até meia-noite. Então, ela toma antes”, revelou.

Edith confessa que, hoje em dia, não faz mais uso dos banhos, por causa da religião que adotou há alguns anos, mas que os banhos são aprovados pelos clientes que retornam a barraca.

Religião

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Além as ervas, incensos, velas e amarrações também estão entre os itens mais vendidos. Foto: Carol Amorim

Edjane Maria de Lima também é dona de uma barraca no bairro. Porém, além das ervas, ela vende imagens e outros objetos utilizados pelos fiéis das religiões de matrizes africanas. Ela observa que, por causa disso, fora do período de aproximação do ano novo, há aumento na movimentação dos clientes para celebrar o dia de Iemanjá, comemorado no início do mês de dezembro.

“Os clientes são diversificados. Há quem siga o candomblé, por exemplo, e há quem siga outras religiões, como a católica”, ressaltou.

Edjane conta que para o réveillon, além das ervas, há procura por banhos de cheiro e de descarrego vendidos em frascos industrializados, também há a busca por incensos, velas e amarrações.

“As amarrações são feitas para segurar quem a pessoa quer ficar. Independente de estar junto ou não”, revela.

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