“Super Drags”: Séries de animação adultas conquistam público

Essa é a primeira vez que uma produção de animação brasileira ganha destaque

“Super Drags”: Séries de animação adultas conquistam público

Essa é a primeira vez que uma produção de animação brasileira ganha destaque

Por | Edição do dia 12 de novembro de 2018
Categoria: Cinema, Diversão | Tags: ,,,


Piadas ácidas, alto senso de humor e assuntos politicamente incorretos: essas costumam ser as características das séries de animação produzidas para o público adulto. Você já deve ter ouvido falar de produções como Os Simpsons,Uma família da pesadaFuturama e American dad!. Esses desenhos norte-americanos contam com diversas temporadas e são sucesso em todo o mundo.
Agora, chegou a vez de o Brasil ter a primeira série de animação voltada exclusivamente para o público mais velho. O desenho Super drags, lançado na última sexta-feira (9/11), é produzido pela Combo Estúdio e distribuído pela Netflix. A animação foi criada por Anderson Mahanski, Fernando Mendonça e Paulo Lescaut, e reúne nomes como Pabllo Vittar, Silvetty Montilla e Suzy Brasil no elenco.
Com classificação indicativa para 16 anos, a série conta a história dos amigos Patrick, Donizete e Ralph, que trabalham em uma loja de departamento durante o dia. Quando a noite chega, o trio se transforma nas drag queens Lemon Chifon, Scarlet Carmesim e Safira Cyan. Juntas, elas são as Super Drags, heroínas que protegem a comunidade LGBT dos perigos cotidianos.
Alexandre Juruena, diretor de cinema e coordenador do festival brasileiro de animação Animarte!, explica que o lançamento de Super drags é extremamente importante para o nicho de animações no Brasil: “Eu espero que as séries sempre sejam ferramentas de linguagem e de manifestação diversa. Espero que Super drags seja interessante não só para o público LGBT, mas para todo mundo. Acho que ela pode abrir caminho para outras produções adultas, sim”, afirma o diretor.

Mercado

Engana-se quem pensa que desenhos animados sempre foram dedicados ao público infantil. Alexandre Juruena ressalta: “É importante relembrar que nos primórdios as animações eram produzidas exclusivamente para o público adulto. Se a gente for analisar filmes de personagens clássicos, veremos que eles bebem cerveja, fumam charuto e participam de cenas de violência…”.
Juruena ressalta que, no início, esses trabalhos eram transmitidos apenas no cinema. Ele também conta que o caráter infantil desses desenhos ganhou força com as produções da Disney: “Essa empresa vai atrair um público de crianças e depois de muito tempo a gente vai passar a associar as animações com o público infantil”, explica Alexandre. Com a chegada da televisão, a indústria passa a investir em produção de séries de animação e volta a criar esse tipo de conteúdo para o público mais velho.
Apesar disso, ele afirma que a demanda do público por trabalhos nesse formato sempre existiu: “Muitas pessoas mais velhas, que assistiam animações desde pequenas, sentem falta desse tipo de produção. Ela voltar apresentando temas adultos se torna muito atraente”, explica.
O diretor explica que a linguagem utilizada nas animações dá permissão para que temas como sexo, violência, consumo de drogas e depressão, por exemplo, sejam trabalhados. “Por ser uma linguagem lúdica, acaba tendo uma liberdade maior de tocar nesses temas. As pessoas ainda associam coisas lúdicas à infância, mas sempre foi uma linguagem para todas as idades. Ela vem recortar essa demanda do público adulto que sempre existiu e é um público muito fiel”, ressalta.

Novas produções

Recentemente, o mercado de séries animadas para adultos tem ganhado novidades que fazem sucesso entre o público. Títulos, como (Des)encanto (2018), Final Space (2018) e Big mouth (2017) conquistaram fãs fiéis. Outras séries como Rick and Morty (2013) e BoJack Horseman (2014), no mercado há mais tempo, são destaques nesse nicho.
O professor Lucca L’Abbate, 26 anos, explica que sempre teve interesse em animações voltadas para os mais velhos. “A coisa que eu mais gosto nesses desenhos é aquele humor mais sarcástico, mais seco, personagens fazendo brincadeiras uns com os outros”, relata.
Para Lucca, o desenho Rick and Morty (uma das melhores produções na opinião do jovem) trata de questões importantes de forma inteligente. “É uma série completamente imprevisível, muito irônica, um pouco violenta e é recheada de críticas sobre temas como política e alienação”, conta Lucca.
Ele também ressalta que é importante que as pessoas estejam atentas à classificação indicativa dessas produções. “Todos esses desenhos, seja na TV ou na Netflix, têm a censura e a explicação sobre o motivo dessa restrição de formas muito explícitas”, afirma o professor.
A estudante Roberta Letícia, 19 anos, conta que a produção adulta que mais chama a atenção é BoJack Horseman, pois critica questões mais sérias de forma bem-humorada. “BoJack fala muito sobre depressão, por exemplo, mas é bastante irônico. É bem com um tom de humor”, diz.
Ela está feliz com o lançamento de Super drags, por ser a primeira produção desse formato no Brasil e por tratar de temas importantes, como as questões da comunidade LGBT. “Vou assisti-lo com certeza. Acho ótimo a ideia de ter um desenho que fale sobre drag queens”, afirma.
Mais animações
(foto: Netflix/Divulgação. Cultura. )
                                                                                    (foto: Netflix/Divulgação. Cultura. )

 

(Des)encanto (2018)

Distribuída pela Netflix e assinada por Matt Groening (Os Simpsons). Com classificação indicativa para 14 anos, a série conta a história de uma princesa alcoólatra que habita o reino de Dreamland.

 

(foto: Conaco/Divulgação)
                                                                                             (foto: Conaco/Divulgação)

 

Final Space (2018)

Não recomendada para menores de 16 anos, a série da TBS, criada por Olen Rogers, mostra as aventuras do astronauta Gary e do amigo destruidor de planetas, Mooncake.

(foto: Reprodução da Internet)
                                                                                            (foto: Reprodução da Internet)

 

Big Mouth (2017)

Criada por Nick Kroll, Mark Levin e Jennifer Flackett, Big Mouth mostra Nick e Andrew enfrentando os problemas da puberdade. Não recomendada para menores de 16 anos, a série exibida tem momentos picantes e peculiares.

 

(foto: Harmonius Claptrap/Divulgação. )
                                                                                    (foto: Harmonius Claptrap/Divulgação. )

 

Rick & Morty (2013)

Assinada por Dan Harmon e Justin Roiland, a produção mostra as aventuras de Rick, um cientista alcoólatra, e Morty, seu neto. A animação não é recomendada para menores de 16 anos.

 

(foto: Netflix/Divulgação)
                                                                                                    (foto: Netflix/Divulgação)

 

BoJack Horseman (2014)

Um cavalo famoso no ramo da televisão norte-americana: esse é BoJack, protagonista da série criada por Raphael Bob-Waksberg. A classificação indicativa é de 16 anos.

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