Sociedade de Infectologia muda orientação e não recomenda uso da cloroquina

Órgão diz que tratamento do vírus com o medicamento é ineficaz e gera efeitos colaterais em pacientes

Por Redação | Edição do dia 25 de maio de 2020
Categoria: Alagoas, Notícias | Tags: ,,,,


As muitas especulações negativas com relação ao uso da cloroquina em pacientes contaminados pelo novo coronavírus (Covid-19) é motivo para embates políticos e científicos. Nas últimas semanas, o Ministério da Saúde havia liberado o medicamento para o Sistema Único de Saúde (SUS) e afirmou que ele poderia ser utilizado para o tratamento de pacientes com sintomas leves do vírus. Mas nesta segunda-feira (25), a Sociedade de Infectologia de Alagoas emitiu uma nota reafirmando os estudos científicos como base para evitar o uso cloroquina ou hidroxicloroquina devido à ineficácia e riscos de efeitos colaterais.

Segundo a nota – assinada pelo presidente da instituição, Fernando Luiz de Andrade Maia – o tratamento com esse medicamento ainda não foi demonstrado o benefício de tais medicações para tratar esta doença, e ainda houve associação a um risco maior de letalidade. O órgão também fez recomendações especiais para ajudar as unidades de saúde do Estado, assim podendo frear os óbitos e a quantidade de infectados.

“Em recomendação aos serviços de saúde, a Sociedade Alagoana de Infectologia apresentou uma proposta de Protocolo de Manejo Ambulatorial das Síndromes Gripais. Mantendo este compromisso, a SAI vem a público informar que, considerando as últimas pesquisas científicas publicadas, passamos a não recomendar o uso rotineiro de Cloroquina ou Hidroxicloroquina para tratamento da COVID-19, mesmo para pacientes com fatores de risco para complicação, assim como o fez a Sociedade Brasileira de Infectologia”, diz um trecho da nota.

Ainda de acordo com a instituição, é preciso ressaltar o impacto que existe na letalidade de qualquer doença aguda, por interferir no tempo entre a identificação dos primeiros sinais de complicação e o início do manejo adequado. Com isso, uma série de recomendações para atendimento urgente de pacientes com sinais de graves do vírus foram demarcadas e incluídas na nota.

Uma delas seria ofertar pronto-atendimento hospitalar em hospitais que disponham de leitos de enfermaria e UTI destinados à COVID-19, para atendimento urgente dos pacientes com sinais de gravidade, identificados em unidades de saúde de menor complexidade ou no atendimento pré-hospitalar no Serviço Móvel de Urgência, medida essencial por ser a dependência total de transporte em ambulância entre os vários níveis de complexidade na assistência, um ponto crítico em situações de surto/epidemia.

Além disso, tempo de permanência dos pacientes nas unidades de pronto-atendimento e demais ambientes destinados ao atendimento emergencial, deve ser reduzido ao máximo, idealmente não ultrapassando 6 horas, com tempo máximo de 24 horas, garantindo assim o acesso de novos pacientes que necessitam de pronto-atendimento e medidas de estabilização imediata; Por se tratar de uma doença recente, com inúmeras pesquisas em andamento, certamente as recomendações de melhor tratamento serão modificadas inúmeras vezes.

 

Confira a nota na íntegra: 

considerando as últimas pesquisas científicas publicadas, passamos a NÃO RECOMENDAR o uso rotineiro de Cloroquina ou Hidroxicloroquina para tratamento da COVID-19, mesmo para pacientes com fatores de risco para complicação, assim como o fez a Sociedade Brasileira de Infectologia, uma vez que ainda não foi demonstrado o benefício de tais medicações para tratar esta doença, e ainda houve associação a um risco maior de letalidade”.

A SAI também apresenta várias recomendações aos serviços de saúde destinados ao atendimento de paciente da covid-19.

Modificação da recomendação de uso da Cloroquina/Hidroxicloroquina

  Recomendação SAI – 05    

Divulgada em 25 de maio de 2020

Em sua ultima publicação, A SOCIEDADE ALAGOANA DE INFECTOLOGIA (SAI) apresentou uma proposta de Protocolo de Manejo Ambulatorial das Síndromes Gripais (Recomendação SAI -04).

Naquele documento, a SAI assumiu o compromisso de manter as recomendações atualizadas à luz das melhores evidencias científicas disponíveis. Mantendo este compromisso, a SAI vem a público informar que, considerando as últimas pesquisas científicas publicadas, passamos a NÃO RECOMENDAR o uso rotineiro de Cloroquina ou Hidroxicloroquina para tratamento da COVID-19, mesmo para pacientes com fatores de risco para complicação, assim como o fez a Sociedade Brasileira de Infectologia, uma vez que ainda não foi demonstrado o benefício de tais medicações para tratar esta doença, e ainda houve associação a um risco maior de letalidade.

Os demais pontos da Recomendação-04 estão mantidos, assim como as recomendações para o atendimento urgente de pacientes com sinais de gravidade. Ressaltamos algumas, pelo impacto que existe na letalidade de qualquer doença aguda, por interferir no tempo entre a identificação dos primeiros sinais de complicação e o início do manejo adequado:

– Ofertar pronto-atendimento hospitalar em hospitais que disponham de leitos de enfermaria e UTI destinados à COVID-19, para atendimento urgente dos pacientes com sinais de gravidade, identificados em unidades de saúde de menor complexidade ou no atendimento pré-hospitalar no Serviço Móvel de Urgência, medida essencial por ser a dependência total de transporte em ambulância entre os vários níveis de complexidade na assistência, um ponto crítico em situações de surto/epidemia.

– O tempo de permanência dos pacientes nas unidades de pronto-atendimento e demais ambientes destinados ao atendimento emergencial, deve ser reduzido ao máximo, idealmente não ultrapassando seis (6) horas, com tempo máximo de 24 horas, garantindo assim o acesso de novos pacientes que necessitam de pronto-atendimento e medidas de estabilização imediata; Por se tratar de uma doença recente, com inúmeras pesquisas em andamento, certamente as recomendações de melhor tratamento serão modificadas inúmeras vezes.

Continuamos atentos e sempre norteados pelo princípio hipocrático da ética médica de “primeiro não causar dano”.

                        Atenciosamente,

                Fernando Luiz de Andrade Maia

           Presidente da Sociedade Alagoana de Infectologia

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