Síndrome de Fournier é grave e pode levar a amputação e morte, alerta médico do HGE

Problema pode ser prevenido e tratado para evitar lesões que possam ocasionar graves sequelas

Síndrome de Fournier é grave e pode levar a amputação e morte, alerta médico do HGE

Problema pode ser prevenido e tratado para evitar lesões que possam ocasionar graves sequelas

Por Assessoria | Edição do dia 25 de agosto de 2021
Categoria: Alagoas | Tags: ,,


Pele vermelha ou escurecida, inchaço, febre, dor intensa e mau cheiro são sintomas que podem ser confundidos com uma irritação na região genital. Contudo, podem esconder a Síndrome de Fournier que, quando não tratada, pode desencadear agravantes, como amputação e disseminação da infecção para outros órgãos, gerando risco de morte, segundo alerta o urologista do Hospital Geral do Estado (HGE), Wellington Porciúncula.

O tratamento é realizado por uma equipe multidisciplinar, que inclui urologista, clínico, cirurgia plástica e equipe de enfermagem e deve ser realizado apenas em hospital. “É uma doença grave causada pela disseminação de bactérias na região genital, tanto do homem quanto da mulher. Entretanto, homens são mais propensos a desenvolverem. A infecção, leva à gangrena do tecido lesionado”, explicou o urologista Wellington Porciúncula.

De acordo com o especialista, a síndrome não é contagiosa e apresenta uma progressão muito rápida, por isso, o tratamento deve ser realizado o mais rápido possível, após o diagnóstico, evitando as complicações. “Geralmente tem início na vulva ou virilha das mulheres, e nos homens, começa no escroto e no pênis. O tratamento é feito com antibioticoterapia de amplo espectro, até a completa cura clínica da doença, sendo que em alguns casos também é necessário tratamento cirúrgico”.

J.C.S., de 44 anos, está internado no HGE em tratamento da síndrome desde 1º de junho e já veio transferido de outra unidade hospitalar. Ele precisou de procedimentos cirúrgicos para retirada de tecidos mortos, também necessitará de reconstrução nos testículos e uretra. Já passou por vários procedimentos cirúrgicos.

Joaquim Diegues, cirurgião plástico, contou que a equipe cirúrgica entra no tratamento quando acontece um agravamento do quadro, como no caso do paciente citado. “Fazemos procedimentos de reconstrução, debridamentos cirúrgicos muitas vezes agressivos. É preciso fazer a remoção da pele e dos tecidos que estão necrosados, infectados, desvitalizados e realizar cirurgia de reconstrução da região íntima, sendo necessário que a pessoa fique internada por alguns dias, algumas vezes até em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), até que a pele e todos os tecidos afetados se recuperem. Em alguns pacientes é necessário fazer cistotomia e colostomia, dependendo do caso”, explicou.

Segundo ele, apesar de ser considerada rara, esta doença tem um nível alto de mortalidade, principalmente em pacientes idosos ou que apresentem comorbidades, variando em estudos científicos entre 20 e 75%. Sua rápida progressão faz a infecção abranger as áreas genitais e podendo se expandir até a regiões adjacentes, elevando o risco de infecção generalizada e óbito.

Cuidados e prevenção – Em geral, segundo explicou o cirurgião, a síndrome é causada por infecção do períneo que pode surgir a partir de lesões da pele, uretra ou reto, sendo a origem anorretal a mais comum. Ela é resultado da manifestação de várias bactérias, que fazem parte da microbiota genital.

Entre os principais fatores de risco estão, a diabetes, alcoolismo, trauma local (incluindo manipulação cirúrgica), parafimose, lesões periuretrais e perianais, neoplasia maligna e imunossuprimidos. “Geralmente o risco desta manifestação nas vias genitálias é aumentado pela falta de higienização adequada, obesidade mórbida e agravação de uma infecção urinária. Pessoas diabéticas e com patologias imunocomprometedoras não podem se descuidar diante do surgimento de lesões anais, patologias da uretra, assim como patologias infecciosas cutâneas, como furúnculo por exemplo, que podem, se não tratadas evoluir para a síndrome”, explicou o médico Wellington Porciúncula.

Também há casos consequentes de cirrose, alcoolismo, hipertensão, uso de drogas e de antibióticos sem indicação médica, uma vez que pode promover a permanência de bactérias mais resistentes. “Evitar tais gatilhos pode garantir mais chances de prevenção. Hábitos saudáveis, higiene pessoal, controle adequado das doenças de base, são medidas que podem ajudar, além disso não postergar a ida ao médico quando perceber pequenas lesões na região perineal que não melhoram. Isso pode ajudar no desfecho e na morbidade da doença”, referiu Wellington Porciúncula.

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