Relato de acidentes com bicicletas no interior chama atenção pelo discurso

Ativistas não isentam ciclistas, mas apontam culpabilização da vítima por parte do Estado

Relato de acidentes com bicicletas no interior chama atenção pelo discurso

Ativistas não isentam ciclistas, mas apontam culpabilização da vítima por parte do Estado

Por | Edição do dia 5 de junho de 2016
Categoria: Alagoas, Notícias | Tags: ,,,,,


Uma matéria publicada neste sábado (04) no site oficial do Governo do Estado, o Agência Alagoas, destacava o alto número de acidentes envolvendo bicicletas no interior do Estado, gerando 1.146 atendimentos de vítimas no Hospital de Emergência Daniel Houly (HEDH) de Arapiraca em 2015. Um alerta necessário, mas que foi considerado tendencioso por alguns leitores e ativistas da mobilidade ao focar apenas na responsabilidade dos ciclistas perante os acidentes.

Com trechos como “Apesar de sua aparência inofensiva, quando comparada às motocicletas, ela tem sido responsável por diversos acidentes no interior do Estado, em alguns casos com vítimas fatais” e “Diante dessas estatísticas, vale salientar que os ciclistas nem sempre são vítimas. Em alguns casos, eles são os causadores dos acidentes, por desobedecerem às regras básicas do trânsito ao circularem na contramão, cruzarem o sinal fechado ou andarem em calçadas e passeios públicos”, o texto destaca a falta de educação no trânsito entre ciclistas e de como isso acaba facilitando quedas e colisões com outros veículos.

Um fato que os defensores da bicicleta não negam que ocorra. “Sim, o ciclista também tem sua responsabilidade, a bicicleta é considerada um veículo pelo código de trânsito e portando deve circular na rua e não nas calçadas, respeitar a sinalização e não andar na contramão. Importante lembrar também que o nosso código de trânsito fala claramente que os veículos maiores são responsáveis pela segurança dos menores e todos juntos pela segurança do pedestre”, destaca Juliana Agra, designer e ativista da CicloMobilidade.

Contudo, ela chama atenção para o fato da inexistência de estruturas urbanas como ciclovias ou o respeito que veículos possuem com ciclistas, em grande parte pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte por questões econômicas.

Não existe um programa específico para educação de ciclistas no trânsito, como existe para condutores de veículos automotores. Algumas dessas noções são passadas na escola ou durante campanhas específicas, conduzidas por órgãos públicos ou pelos grupos da sociedade civil organizada.

“Os ciclistas de uma maneira geral são cautelosos no trânsito, mas sempre que possível procuramos conscientizá-los de seus direitos e deveres e desmistificar algumas regras que são disseminadas popularmente, mas que não são verdade. Entretanto nosso foco é cobrar o respeito dos motoristas e ações do poder público pois estes últimos tem um impacto muito maior na segurança do ciclista”, afirmou Juliana Agra.

Números

Os dados trazidos pela matéria do Governo de Alagoas relatam que, dos 1.146 pacientes vítimas de acidentes envolvendo bicicleta em 2015, 65 sofreram lesões graves, que resultaram em cirurgias ou internações – quatro pessoas não resistiram e acabaram falecendo no hospital.

O tipo de acidente mais comum são as quedas, com 853 casos. O motivo de tais quedas não é apresentado – perdeu o equilíbrio por velocidade? Terreno irregular? Ou ao tentar desviar da ação de outro veículo?

As colisões entre bicicletas e motocicletas são o segundo motivo de atendimentos, com 190 ocorrências, e em seguida, a colisão entre bicicletas e carros, com 68 casos. “Destes que foram graves, tenho certeza de que todos foram por colisão com motorizados. Note que o número de colisões com carros é de 68, é até parecido”, comentou Juliana.

Somente no primeiro trimestre de 2016, o Hospital de Emergência Daniel Houly atendeu 227 pacientes vítimas de acidentes com bicicletas.

Confira a matéria na íntegra clicando aqui.

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