Refugiada treinava sem sapatos, termina em 61º, mas comemora

Refugiada treinava sem sapatos, termina em 61º, mas comemora

Por | Edição do dia 18 de agosto de 2016
Categoria: Esportes, Outros Esportes | Tags: ,,,,


Rose Nathike Lokonyen treinava sem tênis antes de vir para a Olimpíada. Pelo time de refugiados, ela terminou sua participação olímpica em 61º lugar entre 64 concorrentes na prova dos 800 m com classificatórias realizadas na quarta-feira (17), mas está feliz pelo feito.

Rose Nathike Lokonyen (à esquerda) e Houleye Ba. Foto: Pedro Ugarte/AFP

Rose Nathike Lokonyen (à esquerda) e Houleye Ba. Foto: Pedro Ugarte/AFP

Rose é do Sudão do Sul e gostaria de correr pelo seu próprio país, mas não sabe se seria possível. Atualmente ela mora no Quênia e diz que gostaria de correr pelo país onde mora. “Talvez (poderia correr) pelo Quênia, onde estou vivendo”, disse.

Para conseguir ser uma das três melhores quenianas e garantir uma vaga, precisaria melhorar 20s do seu tempo atual. “É realmente impossível, reconheço, mas eu quero continuar correndo. Não sei como, sei que hoje vivi um grande momento da minha vida”.

A passagem de Rose Nathike Lokonyen pela zona mista após a prova dos 800 m foi tão lenta quanto sua participação na corrida. Caso raro, pois o normal é que ninguém fale com os perdedores.

Rose vive em um campo de refugiados com 180 mil pessoas em Kakuma, no Quênia. Ela passou sorridente, em contraste absoluto com a multicampeã Caster Semenia, da África do Sul, rápida e mal humorada.

Rose foi abordada primeiramente por uma televisão chinesa. O repórter, através do celular, a colocou em contato com seus parentes. “Foi muito emocionante ver minha mãe e irmã. Chorei um pouco, mas estava alegre também”.

Atleta corre de hijab e é a última

Na bateria de Rose, estavam também a norte-americana Ajee Wilson, sétima colocada no geral e Houleye Ba, da Mauritânia, que teve o pior tempo do dia.
Ba chegou 44s08 após Wilson e foi recepcionada com um abraço emotivo. “Eu sou uma corredora e ela também é. Por isso, eu abracei. Somos todas iguais, atletas competindo”.

Wilson também abraçou Lokonyen. “Eu li sobre ela e sei que é uma pessoa muito corajosa e valente”.Ba correu com o hijab, traje que cobre a cabeça das mulheres islâmicas. “Não sei se atrapalha, nunca corri sem ele. Minha religião é assim”, disse.

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