Proposta ruim e técnico revoltado: por que o Leverkusen se recusou a negociar Alario com o Palmeiras

Empresários avaliam que faltou conhecimento de mercado alemão ao Verdão

Proposta ruim e técnico revoltado: por que o Leverkusen se recusou a negociar Alario com o Palmeiras

Empresários avaliam que faltou conhecimento de mercado alemão ao Verdão

Por Lance! | Edição do dia 17 de janeiro de 2022
Categoria: Esportes | Tags: ,,,


Com mais de 50% de suas ações pertencentes a uma conhecida empresa farmacêutica, o Bayer Leverkusen, da Alemanha, encarou como “ousada” a tentativa do Palmeiras de contratar o atacante Lucas Alario, de 29 anos, para ser o seu principal centroavante na temporada. A negociação foi oficialmente descartada na sexta-feira (14).

O clube germânico tem uma sólida estruturação financeira e política de compra e venda de jogadores. Faltou ao Verdão experiência para saber com quem estava lidando, avaliaram empresários que já negociaram atletas com clubes alemães ouvidos pelo LANCE!.

Verdão teve contratação de Alario barrada por clube alemão na última sexta. Foto: Bayer Leverkusen/Facebook.

Durante o final de semana, fontes da diretoria palmeirense disseram que a oferta final foi de 1 milhão de euros (cerca de R$ 6,3 mi) pelo empréstimo de um ano do argentino, com opção de compra de 8,5 milhões de euros (aproximadamente R$ 53,7 mi).

Parece tentador para um atleta que está na reserva, com apenas um gol marcado em 16 partidas, mas o Leverkusen não negocia neste tipo de modelo, habitual entre clubes sul-americanos e até em outros mercados europeus, como o italiano. Por isso, achou o Palmeiras ‘atrevido’, no mínimo, na condução de suas tratativas.

Desde sempre, o objetivo dos alemães é recuperar pelo menos boa parte dos 25 milhões de euros (aproximadamente R$ 158,29 mi atuais) que pagaram ao River Plate, da Argentina, para ter Alario em 2017. Isso sempre ficou claro desde que o Verdão sondou o argentino ainda no ano passado.

“Faltou uma análise mais ampla do Bayer, de sua postura no mercado, de como são feitos seus investimentos e negociações. Na Alemanha, como um todo, não se utiliza o empréstimo com opção de compra. Os alemães tem uma economia sólida, não precisam correr risco em contratações e tampouco se desfazer de atletas que tenham um baixo rendimento”, avaliou um agente que ajudou a vender dois flamenguista ao país europeu.

Outra prática comum no mercado sul-americano que causou revolta nos alemães, principalmente no técnico suíço Gerardo Seoane, foi o fato do Palmeiras ter acertado bases contratuais com Alario antes de falar com o Leverkusen.

“Esse tipo de situação varia de acordo com o clube ou o técnico. Mas no caso do Leverkusen, bastaria olhar para nesses sites de estatísticas para entender a situação”, diz esse empresário.

Ele se refere ao fato dos alemães terem apenas Alario como opção formada para a reserva do astro checo Patrik Schick, autor de 18 gols em 20 partidas na temporada. São dois outros atletas para a posição, ambas com menos de 18 anos. Por conta disso, o Leverkusen já havia recusado investida do Bétis, da Espanha, para ter o argentino por empréstimo no início da temporada europeia.

E o fato do Verdão ter tentado se antecipar para convencer Alario a ser seu camisa 9 antes de ter o aval dos alemães pegou mal com o técnico que, mesmo com a recusa da diretoria do Leverkusen no negócio, reiterou seu veto, segundo a imprensa local.

Não é o que clubes alemães não negociem por empréstimo. Mas a prática só é comum quando as transferências são acordadas com mercados de poderio financeiro ainda maior, como o recente acordo do Borussia Dortmund com o Real Madrid, da Espanha, para ter o meia-atacante Reinier, ex-Flamengo, nesta temporada.

Ou, como no caso do Leverkusen, que tem quatro atletas emprestados nesta temporada, jogadores com valor de mercado extremamente baixo e contratos prestes a vencer. Mesmo na reserva e em baixa, Alario renovou com o clube até 2024.

“São alternativas que os alemães enxergam como forma de teste. Mas sempre é interno no mercado deles, europeu, e nunca com um sul-americano, ainda mais para saída. Nesse caso, tem que pagar em definitivo mesmo”, apontou outro empresário ouvido pela reportagem, que não quis se identificar por ter atletas no elenco palmeirense.

E para entender essa logística, bastaria o Palmeiras olhar com atenção para as última negociações de impacto de brasileiros com clubes alemães, justamente de dois rivais.

A maior de todas é a do peruano Paolo Guerrero. O atacante, que tinha passagem pelo gigante Bayern de Munique, estava encostado no Hamburgo quando o Corinthians demonstrou interesse. Para tê-lo visando a disputa do Mundial de Clubes de 2012, precisou desembolsar 3 milhões de euros (cerca de R$ 7,5 mi na cotação da época).

Cinco anos depois, o valor necessário para o Santos repatriar o atual flamenguista Bruno Henrique do Wolfsburg já subiu: 4 milhões de euros (cerca de R$ 13,5 mi à época).

Nenhum dos dois, contudo, tem a saúde financeira do Leverkusen. Por mais que tenha uma das maiores torcidas da Alemanha, o Hamburgo patinou com más administrações e acabou rebaixado. o Wolfsburg perdeu o aporte de uma conhecida montadora de automóveis e reduziu os gastos drasticamente.

A força do Leverkusen vem justamente de sua solidez financeira, criada através de uma rede de olheiros que garimpa talentos como Alario para depois revender no Velho Continente. O clube tem portas abertas em todos os gigantes.

Foi desta forma que reforçou por exemplo um provável rival do Verdão no Mundial: o meia Kai Havertz, de 22 anos, vendido por 80 milhões de euros (cerca de R$ 505,1 mi) em 2020 para o Chelsea. Havia sido assim com brasileiros como o lateral e meia Zé Roberto, que jogou no Palmeiras, e os zagueiros Lúcio, pentacampeão mundial, e Juan, ex-Flamengo. Todos revendidos por um valor muito maior depois.

E é assim que o clube alemão espera ser com Alario e o brasileiro Paulinho, comprado do Vasco por 18,5 milhões de euros (cerca de atuais R$ 116,8 mi) em 2018 e por quem, assim com o argentino, recusaram propostas de empréstimo de clubes espanhóis no início da temporada.

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