, Terça-Feira - 10 de Dezembro de 2019

 

Projeto alagoano ajuda população trans e travesti a ser inserida no mercado de trabalho

Carol Amorim / 8:00 - 01/12/2019

O projeto conta com capacitação e pretende dialogar com empresas do Estado


Foto: Reprodução Internet

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Com o objetivo de fortalecer e inserir a população transexual e travesti de Alagoas no mercado de trabalho, o projetoTrans Equality foi criado há cerca de dois meses em Maceió. A iniciativa consiste em capacitar a população trans e travesti com curso de formação profissionalizante e ser um meio de diálogo com empresas que possam incluir essa população.

O primeiro encontro na formação profissional com ênfase em Recursos Humanos (RH) ocorreu na última sexta-feira, 29, na sede da Faculdade Estácio, na Jatiúca, e teve cerca de 40 transexuais e travestis alagoanos inscritos, contou o idealizador do projeto, o assistente social Jorge Fernando de Souza.

Primeiro encontro do curso aconteceu na última sexta. Foto: Arquivo pessoal

Primeiro encontro do curso aconteceu na última sexta. Foto: Arquivo pessoal

O curso contará com dois encontros mensais na faculdade e terá duração até fevereiro de 2020. Após esse período, Jorge Fernando conta que será iniciada a etapa em que os componentes do projeto se reunirão para que empresas em Alagoas sejam sondadas, visando à inclusão da população trans e travesti no mercado de trabalho.

Quando perguntado sobre a motivação que o levou a criar o projeto, Jorge citou que, no meio acadêmico, ele já era ativo na militância em prol da comunidade LGBT+ e que, posteriormente, com a ideia do projeto, ele viu na iniciativa uma maneira de agir ainda mais em favor da população LGBT, com ênfase na comunidade de transexuais e travestis. “Alagoas está entre os principais estados que mais matam LGTBs e, entre a população LGBT, os transexuais e travestis estão em maior vulnerabilidade.

Desde a família ao social, pessoas trans e travestis enfrentam dificuldades e por causa da falta de oportunidade, muitos acabam entrando na prostituição. Segundo a Antra – Associação Nacional de Travestis e Transexuais -, cerca de 90% dessa população está na prostituição”, informou.

Ele reforça que o objetivo é ajudar aqueles que desejam ter a capacitação, mas que o projeto também respeita a decisão de trans e travestis que queriam permanecer na prostituição.

Jorge Fernando também frisa que o projeto é independente, sem fins políticos e que, para que ele fosse criado, houve inspiração de projetos semelhantes que tem pelo Brasil, a exemplo do Trans Emprego, sediado em São Paulo, que foi o pioneiro nesse modelo de abordagem que fornece oportunidade a comunidade transexual e travesti. “Em Recife também tem um projeto semelhante e, aqui em Alagoas, vi a necessidade ter um projeto assim também”, contou.

Foto: Reprodução internet

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A formação que durará até fevereiro conta com oito gestores entre especialistas nas áreas de comunicação, administração e RH. E, além da Faculdade Estácio, o projeto conta com o apoio do Grupo Gay de Maceió e Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh).

“A gente não promete emprego, mas a gente quer proporcionar a oportunidade da capacitação. No primeiro dia de capacitação, nós apresentamos o curso, fizemos o cadastro dos alunos para depois traçar o perfil dessas pessoas, a escolaridade, experiências. Posteriormente, nós ensinaremos a elas como fazer um currículo, como se portar em uma entrevista de emprego, como se comunicar”, explicou. Para conhecer mais sobre o projeto, basta acessar a página do Trans Equality pelo Instagram (@ttrans_equality).


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