Profissional da saúde conta sua história frente à depressão e como a corrida auxiliou no tratamento

Segundo psicóloga, a prática de atividades físicas auxilia o tratamento da doença

Por Assessoria | Edição do dia 30 de setembro de 2020
Categoria: Notícias | Tags: ,,


Após problemas pessoais, Carlos Tadeu Herculano passou por momento de depressão. Foto: Reprodução

Quem já não escutou falar que a corrida de rua é uma terapia? A sensação de liberdade, o ambiente ao ar livre, o relaxamento. Para o artífice do Hospital Geral do Estado (HGE), Carlos Tadeu Herculano, 47 anos, isso é uma realidade de vida. Em 2017, ele teve depressão e encontrou na corrida um novo sentido para viver. Hoje está à frente de um grupo de corrida que auxilia outros a verem a vida sob nova perspectiva.

“Minha depressão foi desencadeada devido a problemas pessoais. Percebi um desânimo em mim associado ao estresse, ansiedade, insônia, fadiga e, para completar, pressão alta. Procurei auxilio no SQVT (Serviço de Qualidade de Vida do Trabalhador) e fui acolhido de forma bem profissional, além de ser encaminhado para acompanhamento por psicólogo e psiquiatra, também me indicaram a atividade física como auxiliar no processo de cura”, relatou Carlos Tadeu Herculano.

Profissional teve auxílio do Serviço de Qualidade de Vida do Trabalhador. Foto: Reprodução

Ele contou que entrou em contato com o grupo de corridas do hospital (HGE Runners), que o acolheu e incentivou na atividade física. “A partir daí, resolvi encarar a doença e percebi que as corridas estavam me auxiliando, meu sono melhorou, comecei a me sentir mais disposto, mais feliz, minha qualidade de vida, relacionamento familiar e profissional melhoraram significativamente. Fazendo uma rápida analise, caso não estivesse praticando esse esporte e me apegado mais em Deus e na minha família (Tadeu é casado com a Susy há 30 anos e pai de Érica e Nicole), talvez não estivesse mais por aqui”, expôs.

De vítima a vencedor – E não parou por aí, a família inteira começou a correr com ele. Resolveram formar um grupo de corrida para incentivar outras pessoas e despertar para a importância da atividade física na saúde geral, surgiu o Sonic Runners. “Minha filha Érica estava acima do peso e eu passando pela depressão, escolhemos um mascote que representasse força, felicidade e velocidade, é claro. Nada melhor do que um ouriço azul. Sonic. Hoje temos 34 atletas que passaram por problemas como: ansiedade, estresse, depressão, obesidade, dentre outros. Acolhemos todos, sempre orientando sobre exames médicos, calçados adequados e ritmos de treinos como fortalecimento e exercícios aeróbicos”.

Kézia Loureiro diz que a depressão é uma doença complexa. Foto: Reprodução

A psicóloga Kézia Loureiro explicou que a depressão é uma doença complexa, caracterizada por sinais que interferem na habilidade para trabalhar, estudar, comer, dormir e apreciar atividades antes agradáveis. “Em geral, afeta corpo e mente e manifesta-se por sintomas emocionais e físicos. Uma tristeza isolada não é depressão, apenas um sentimento, assim como ansiedade pois não interfere na rotina diária da pessoa”.

Segundo ela, as causas da depressão são desconhecidas. “A teoria neuroquímica sugere que uma disfunção no sistema nervoso central seja a responsável pela doença. A diminuição dos neurotransmissores como endorfina, dopamina, serotonina e noradrenalina no sistema nervoso central são os responsáveis tanto pelo aparecimento dos sintomas emocionais quanto físicos da depressão”.

E a prática de atividade física, segundo destacou a psicóloga, participa do processo cerebral de liberação destes neurotransmissores além de trazer leveza ao dia a dia, através de uma atividade prazerosa que mais se adeque ao gosto da pessoa doente. “Quanto mais atividade física se pratique de forma prazerosa, mais neurotransmissores são produzidos para uma restruturação do funcionamento psíquico adequado. Ela, juntamente com medicamentos, quando necessário, e psicoterapia promove o restabelecimento do quadro clínico. A atividade física é um elemento essencial no tratamento da depressão. Quando um paciente se dispõe, como no caso do Tadeu, a adotar a prática de atividade física disciplinadamente a cura vem de forma muito mais acelerada”.

E ele quem o diga. Em ambiente externo, como as belas praias da capital alagoana, Carlos Tadeu tem incentivado, diariamente, outros a também superarem a doença, inclusive no ambiente profissional. “Não adianta ser atleta de final de semana, o cérebro e o corpo precisam de estímulo diário. Para quem já está doente, o esporte ainda é uma fonte de objetivos, uma prova a concluir, um tempo para cumprir, um peso a perder. Quero passar para meus colegas e pessoas em geral que a vida é muito valiosa. Devemos deixar o preconceito de lado achando que buscar ajudar é coisa de doido. A prática de atividade física é uma forma de cuidarmos da nossa saúde, não só a física, a mental também”.

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