Profissionais do HGE alertam sobre os perigos da automedicação

Uso de medicamentos sem prescrição médica pode agravar doenças e comprometer eficácia dos tratamentos

Por | Edição do dia 12 de outubro de 2015
Categoria: Artigos, Notícias, Saúde | Tags: ,,


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Tomar um remédio sem prescrição para uma dor de cabeça que não passa ou uma febre repentina. Essa é uma atitude, aparentemente, simples e sem mal algum, mas que pode levar a graves consequências, como alergias graves, dependência química e até mesmo a morte.

Segundo a médica clínica, Suely do Amaral, o alívio imediato de alguns sintomas, pode trazer implicações mais sérias do que se imagina. “Dores de cabeça ou febre, por exemplo, indicam que algo não está bem com o organismo da pessoa, a avaliação de um especialista e os exames são fundamentais para se chegar ao diagnóstico”, ratificou.

Suely do Amaral explicou que o uso incorreto de qualquer medicação pode acarretar o agravamento de uma doença, uma vez que a utilização inadequada pode esconder determinados sintomas.

“Se o remédio for antibiótico, a atenção deve ser sempre redobrada. Pois o uso abusivo destes produtos pode facilitar o aumento da resistência de micro-organismos, o que compromete a eficácia dos tratamentos”, comentou a Suely.

Outra preocupação da médica em relação ao uso de remédios por conta própria refere-se à combinação inadequada. Segundo ela, neste caso, o uso de um medicamento pode anular ou potencializar o efeito do outro.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que, em todo o mundo, mais de 50% dos medicamentos receitados são dispensáveis ou vendidos de forma inadequada. Cerca de 1/3 da população mundial tem carência no acesso a medicamentos essenciais. Em todo mundo, 50% dos pacientes tomam medicamentos de forma incorreta.

O Sistema Nacional de Informações Tóxico Farmacológicas (Sinitox) contabilizou que os medicamentos são a principal causa de intoxicação no Brasil, ficando à frente de produtos de limpeza, agrotóxicos e alimentos estragados.

A farmacêutica Ellen Nalini esclareceu que o uso de remédios de maneira incorreta ou irracional pode ocasionar reações alérgicas que podem levar a sintomas como dificuldade em respirar ou inchaço da pele, o choque anafilático, dependência e até mesmo a morte.

“Os analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios representam as classes de medicamentos que mais intoxicam. Tomar remédios sem indicação do médico pode provocar intoxicação medicamentosa ou mau funcionamento de órgãos, como fígado ou rins, devido a doses exageradas ou à interação entre vários medicamentos que não podem ser tomados ao mesmo tempo”, alertou. A farmacêutica.

De acordo com Ellen, embora, a automedicação seja perigosa em qualquer idade, em crianças e jovens há mais risco, “pois a dose da maioria dos remédios varia com a idade, peso e sexo. Também prejudicando o crescimento nos menores,” comentou.

Precauções

Segundo a farmacêutica, a orientação do Ministério da Saúde é que sempre se procure um médico ao desconfiar sobre qualquer problema de saúde. “Evite recomendações de vizinhos, amigos, parentes ou mesmo de balconistas de farmácias ou drogarias. Na consulta, informe ao médico se você já utiliza algum medicamento e se faz uso frequente de bebidas alcoólicas”.

Já na hora de adquirir medicamentos de venda livre – considerados de baixo risco para tratar males menores e recorrentes, como dor de cabeça – deve-se procurar orientações do farmacêutico.

“Nós profissionais da saúde temos o dever de orientar as pessoas para que se conscientizem a, sempre que necessário, procurar um profissional habilitado.

A utilização de medicamentos deve ser feita de forma apropriada para as condições clínicas, em doses adequadas às necessidades individuais e por um período correspondente de tempo. Isso implica no uso racional de medicamentos e pode ser considerada uma forma de prevenção para muitos males”, concluiu a farmacêutica.
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