Profissionais do HGE alertam sobre casos de pneumonia em Alagoas

Doença está relacionada a outros agravos que contribuem com sua evolução; combate deve ser feito através de vacina

Por | Edição do dia 19 de outubro de 2015
Categoria: Artigos, Notícias | Tags: ,


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Pneumologista Luiz Cláudio Bastos l Foto: Thalysson Alves

A pneumonia é a segunda causa de óbitos no Hospital Geral do Estado (HGE). Segundo levantamento feito pelo Serviço de Arquivo Médico e Estatístico (Same), este ano já foram registrados 216 vítimas fatais da doença, número muito superior a 2012, por exemplo, quando apenas 89 óbitos foram registrados durante todo ano. No entanto, a Revista Brasileira de Terapia Intensiva (RBTI) informa que o problema é mundial e a equipe médica do HGE defende a rapidez no tratamento para a rápida retirada do paciente do ambiente hospitalar.

O pneumologista Luiz Cláudio Bastos explica que a enfermidade é uma infecção que se instala nos pulmões. “Pessoas diabéticas, fumantes, dependentes químicos, imunodeprimidos, idosos, alcoólatras e com doenças neurológicas estão mais propensas a ter a doença. E pacientes com AVC [Acidente Vascular Cerebral] podem perder o estímulo da tosse, daí aspira à secreção que contamina os pulmões”.

Desde 2013, a pneumonia assume a segunda posição nesse levantamento do HGE, sendo superada apenas pelo AVC. Em 2013, 332 pessoas morreram com pneumonia; em 2014, 411. “Muitos dos casos devem conter no histórico outras doenças que culminaram na pneumonia. Para entender, é preciso investigar caso por caso para descobrir as razões de tantos óbitos. Esse número mostra apenas a ponta do ‘ice berg’”, defendeu o pneumologista.

Josefa Maria da Conceição, de 59 anos, é uma das pacientes com pneumonia internada no HGE. Conforme seu prontuário, a empregada doméstica possui um enfisema pulmonar, que é uma doença degenerativa, geralmente desenvolvida após muitos anos de agressão aos tecidos do pulmão devido ao cigarro e outras toxinas no ar.

“Fumei durante 23 anos da minha vida e bebi muito, não posso esconder. Hoje, eu me tornei hipertensa e tenho dificuldades na respiração. Meu primeiro atendimento foi no hospital de União dos Palmares [cidade onde Josefa mora] e logo o médico pediu a minha transferência. Cheguei ao HGE e fui para a área vermelha.

Dois dias depois vim para a enfermaria e agora estou muito melhor”, relatou Josefa, mãe de cinco filhos.

De acordo com o pneumologista, o paciente com suspeita da doença, assim como acompanhantes e demais indivíduos que tentam contato com o doente, deve usar uma máscara cirúrgica para evitar o contágio. “Qualquer médico pode tratar o paciente. A doença é evitada através de vacinação e tratada com o uso de antibióticos, expectorantes, analgésicos, antitérmicos, nebulização medicamentosa, alimentação saudável, consumo de bebidas em temperatura natural e o doente deve evitar estar exposto ao frio”.

No HGE, o paciente com pneumonia, geralmente idoso, realiza exames de raio-X no tórax e de sangue. “Nem todos [os pacientes] são internados. Eles ficam no hospital se estiverem com falta de ar, sonolentos, confusos ou se a condição social não permitir o tratamento em casa. Se piorar nas primeiras 24 horas, eles podem ser transferidos para a UTI [Unidade de Terapia Intensiva], por necessitar de uma vigilância mais constante”, informou o médico Luiz Cláudio.

Na UTI, o fisioterapeuta Gabriel Alves explica que a pneumonia está associada à ventilação mecânica (PAV) e o paciente se torna mais vulnerável à medida que aumenta o tempo de permanência na UTI, com uso de antimicrobianos.

“Nosso serviço conta com um grande percentual desse tipo especifico de patologia. A pneumonia adquirida em ambiente hospitalar causa uma série de danos no percurso do paciente durante sua estadia no ambiente hospitalar, prolongando cada dia mais sua permanência no setor, levando-o muitas vezes a danos irreparáveis ou até mesmo o óbito. Em decorrência destes fatos, após o diagnóstico através de exames, a equipe de fisioterapia atua de forma imprescindível e segura, no ato de diminuir a taxa de infecção destes pacientes através do manuseio intenso e programado dos aparelhos que dão”, relatou o fisioterapeuta.

Contudo, Gabriel Alves destaca o esforço de todos os profissionais para a retirada do doente da UTI com maior brevidade possível. “É assim que diminuiremos a contração de infecções do trato respiratório e consequências indesejadas. Hoje contamos com uma significativa diminuição da taxa de infecção das vias respiratórias devido a grande rotatividade dos pacientes da UTI.

Em até dois dias de precocidade, estes pacientes estão fora do suporte ventilatório, isso de forma conjunta e sequencial com a participação de uma equipe multidisciplinar”.

Ir à UTI não foi o caso de Josefa, mas ela entrou no hospital com muita tosse e dificuldade para respirar. “Porém encontrei profissionais muito bons, que souberam me atender e orientar.

Agora espero o resultado do exame de sangue para descobrir o nível da minha infecção. Já quase não tusso. Espero poder voltar logo a minha rotina”, alegrou-se.

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