Primeiro trimestre do ano é marcado por altas consecutivas no endividamento

Segundo o Instituto Fecomércio AL, meses também foram marcados por atrasos de contas e inadimplência

Primeiro trimestre do ano é marcado por altas consecutivas no endividamento

Segundo o Instituto Fecomércio AL, meses também foram marcados por atrasos de contas e inadimplência

Por | Edição do dia 2 de abril de 2020
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dividas-contasO primeiro trimestre do ano está marcado por três altas consecutivas do endividamento, do atraso de contas e da inadimplência, conforme sinaliza o Instituto Fecomércio AL ao avaliar os dados levantados na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), em Maceió. “Se, em janeiro, a alta do endividamento foi resultado da busca em quitar impostos, matrículas e outros motivos, o mês de fevereiro teve como pano de fundo as compras de carnaval. Porém, em março ocorreu um aumento generalizado do endividamento e da inadimplência, justamente pelo efeito Covid-19. A redução da renda sem alguma forma imediata de compensação acabou criando como única solução o uso do cartão de crédito”, explica o assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL), Felippe Rocha.

Em março, houve acréscimo de 1,92% no volume de endividados, alcançando 212 mil maceioenses, quatro mil a mais do que o registrado em fevereiro (208 mil). O grupo de endividados com contas em atraso cresceu 6,92%, saindo de 92 mil (fevereiro) para 98 mil (março), mas foi o grupo de endividados inadimplentes que obteve o maior acréscimo: 25,92%, saindo de 48 mil para 60 mil.

Apesar da alta na inadimplência, o economista acredita que, a partir de abril, haverá uma redução neste indicador em decorrência de medidas econômicas adotadas pelo governo federal. “Devido à pandemia do Covid-19, o Banco Central, em conjunto com bancos privados, facilitou a prorrogação do pagamento de dívidas por até três meses, o que deverá ser bastante utilizado por quem está endividado, mas sente que terá dificuldade em pagar suas contas nos próximos meses”, explica Felippe.

No universo dos 98 mil consumidores com dívidas em atraso, 46,5% afirmaram que outro membro de sua residência também está atrasando suas contas pessoais. Já 53,5% disseram que, do grupo familiar, apenas eles(as) estão com dificuldade de pagar as contas em dia. Ainda sobre esse grupo, o tempo médio de atraso de suas contas já é de 75 dias.

Já para os 60 mil indivíduos que estão em situação de inadimplência, apenas 8,8% informaram que terão condições de quitar integralmente a dívida no mês seguinte. Para 15,2% desses, o pagamento será parcial, deixando o saldo remanescente para outros meses, enquanto 61,4% afirmaram que não terão condições de rolar dívidas e realizar acordos com bancos e financeiras, aumentando ainda mais o montante a ser pago.

O uso do cartão de crédito responde por 86,2% das dívidas; um percentual alto e que representa o uso indiscriminado. “Quando falamos em formas de contrair dívidas, o cartão geralmente aparece em primeiro lugar, mas um percentual tão alto assim demonstra que não houve, por parte da maioria dos consumidores, planejamento no uso. Porém, isso é compreensível quando consideramos o momento pelo qual passamos. Com pouca circulação monetária, o crédito pré-aprovado dos cartões acabou como alternativa mais acessível”, avalia Felippe. Os carnês de loja – famosos crediários –  foram utilizados por 14,9% dos consumidores, enquanto 5,3% contraíram dívidas por outros meios.

No geral, os consumidores passam, em média, por 5,9 meses endividados e comprometem 28% de suas rendas com a aquisição de bens e serviços financeiros no mercado.

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