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Preservação do Mutum-de-Alagoas é o tema central da Semana do Meio Ambiente do IPMA

Assessoria / 11:14 - 04/06/2016

Instituto completa 20 anos e comemora discutindo com parceiros reintrodução da ave na natureza


O Dia 5 de junho é o Dia Internacional do Meio Ambiente e também marca o aniversário de 20 anos do Instituto para Preservação da Mata Atlântica (IPMA) e, para celebrar duplamente a ocasião, uma vasta programação foi montada com parceiros e a sociedade. Entre essas atividades, está a reunião do Plano de Ação Nacional (PAN) do Mutum-de-Alagoas, de 8 a 10 de junho, na Estação Ambiental Cinturão Verde da Braskem, para discutir a volta deste animal , ameaçado de extinção, às matas alagoanas.

O grupo é formado por especialistas de todo o país, sendo capitaneado pelo Instituto Chico Mendes para Biodiversidade (ICMBio), que se reúne rotineiramente para debater tudo o que cerca a ave e sua preservação. Em Maceió, os integrantes do Plano Nacional vão definir os protocolos de manejo e reintrodução do Mutum-de-Alagoas, validando as diretrizes elaboradas pelo grupo de trabalho alagoano.

Mutum-de-Alagoas (Foto: assessoria)

Mutum-de-Alagoas (Foto: assessoria)

“O Mutum foi considerado extinto da natureza, até que o criador Pedro Nardelli encontrou três exemplares na região de Roteiro, capturou as aves para reproduzir em cativeiro e as mandou para criadouros, em Poços de Caldas e Betim, no estado de Minas Gerais. Hoje temos 220 aves que já estão até sendo enviadas para outros dois criadouros e estamos delineando a reintrodução do Mutum-de-Alagoas à natureza”, explicou Alexandra Pinto, gerente administrativa do IPMA.

No entanto, Alexandra alerta que nenhum processo de reintrodução pode ser feito sem um trabalho de educação ambiental com a população da área, para apresentar o animal e a necessidade da preservação, mitigando os fatores de risco – no caso do mutum, a caça, queimadas e o  desmatamento.

“O IPMA já tem um trabalho de 20 anos de conscientização com a população na zona da mata e, somado a isso, a Braskem apoia o projeto de educação ambiental com as comunidades circunvizinhas à área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) da Usina Leão, que é para onde as aves serão levadas”, completou Alexandra Pinto, informando que as aves só podem ser reinseridas em áreas controladas acima de 500 hectares.

O espaço em Alagoas foi selecionado por um grupo de especialistas coordenado pelo doutor Luís Fábio Silveira, que é ornitólogo da Universidade de São Paulo (USP). Para a Braskem, poder contribuir em um projeto tão  importante é um motivo a mais de satisfação e reafirmação da responsabilidade ambiental.

“Mais do que participar da Semana do Meio Ambiente, vamos dar início a várias ações concretas voltadas para a conscientização da comunidade, do plantio de mudas e  de educação ambiental. Também serão discutidas medidas extremamente importantes para a reintrodução desse animal tipicamente alagoano, um dos animais na lista de extinção no planeta e que hoje está voltando à natureza. É uma ação do IPMA que conta com nosso apoio e que vemos como um verdadeiro presente de aniversário, um reconhecimento dos esforços de todos que compõem o instituto”, enfatizou Milton Pradines, gerente de Marketing e Relações Institucionais da Braskem.

Programação da Semana

Além da reunião do Plano Nacional do Mutum, a Semana do Meio Ambiente vai contar com atividades de campo e culturais. No sábado (04), o município de Roteiro vai receber o plantio de árvores nativas e a passeata ecológica ‘Vamos trazer esse alagoano de volta’. No dia seguinte, as comemorações serão do aniversário de 20 anos do IPMA, com entrega de prêmios e a exposição ‘Mutum-de-Alagoas’.

Em Maceió, as atividades se concentram de quarta (08) a sexta-feira (10), com o evento no Cinturão Verde. Na quinta (09), dois eventos culturais serão realizados no Parque Shopping Maceió: a abertura da exposição ‘Mutum-de-Alagoas’ e o relançamento do livro ‘Mutum-de-Alagoas’, de Pedro Nardelli.

Mutum-de-Alagoas

O Mutum-de-Alagoas foi uma das primeiras aves brasileiras a ser descrita durante a Invasão Holandesa no Brasil. Ele foi apresentado pelo astrônomo George Marcgrave em seu livro “Historia Naturalis Brasiliae”, em 1648.

Com um bico vermelho e róseo na ponta, cauda com um par central de penas negras e penugem escura característica no resto do corpo, o mutum era a maior ave terrestre da Mata Atlântica nordestina e vagava por vastos territórios verdes, vivendo em baixas densidades.

Os únicos registros da ave no século XX foram feitos na região litorânea de Alagoas, em 1951 e 1976.


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