Poder público trabalha para tentar evitar o pior

Pinheiro: as três esferas passam a entender que os problemas do subsolo no bairro são mais graves do que aparentavam

Por | Edição do dia 21 de janeiro de 2019
Categoria: Maceió, Notícias | Tags: ,,,,,


Finalmente, os moradores do Pinheiro se fizeram ouvir e mostrar para as autoridades que o problema deles é muito sério. Agora, no poder público, as três esferas estão trabalhando em conjunto para “melhor atender” aos moradores e evitar o pior. Dezenas de imóveis já foram abandonadas pelos moradores. Isso estava sendo feito por conta própria, mas agora o município participa deste processo e assistindo aos moradores.

Reprodução/Pei Fon/ Secom Maceió

Reunião traça plano de ação e simulado de evacuação caso exista um desastre natural no bairro do Pinheiro (Foto: Reprodução)

Plano de ação, de contingência, estudos técnicos no bairro, atendimento psicossocial, cadastramento para aluguel social de R$ 1.000,00, garantido por seis meses. Paralelo a tudo isso, a Braskem realiza estudos que podem ajudar no esclarecimento das causas para o fenômeno das fissuras e rachaduras nos imóveis e no solo do bairro.

Há décadas, imóveis que ficam no Pinheiro apresentavam fissuras ou rachaduras. Em 2013, o engenheiro civil Abel Galindo comandou um trabalho de reforço na fundação de um bloco no Jardim das Acácias. “Para minha surpresa, cinco anos depois a filha da síndica me chamou e, o que era fissura quando eu fiz o trabalho virou rachadura. Isso me deixou muito preocupado. Algo de muito estranho estaria acontecendo”, disse Abel Galindo.

Há cerca de 15 dias, os problemas no bairro eram os mesmos de hoje e o trabalho da Defesa Civil do Município se resumia a “visitas” com uma caminhonete com dois ou três técnicos dentro. Essas pessoas apenas olhavam um ou outro prédio, ouviam a reclamação de uns poucos moradores e voltavam para a base. No administrativo, a cúpula da Defesa Civil, a passos lentos, esperava resposta do Governo Federal na ajuda para as investigações e para o apoio financeiro ao “aluguel social”.

Mas as autoridades tomaram ciência da gravidade da situação e agora correm contra o tempo perdido. A lentidão da Defesa Civil do Município na tomada de posição poderia ter levado a consequências sérias. Mas, com o alarme que foi dado pelos moradores e por parte da imprensa alagoana – no início, porque agora virou pauta geral – os técnicos acordaram e, no momento, tentam recuperar o tempo perdido. Muito embora, ninguém assume que “marcou passo”. Mas os moradores sabem.

Só do Governo Federal já foram liberados R$ 480 mil para o pagamento de aluguel social durante seis meses para as primeiras 80 famílias cadastradas pelo Município. A informação é do secretário Nacional de Defesa Civil, Rafael Machado. Ele disse que esses recursos se referem à primeira parcela solicitada pelo Município.

Dinário Lemos, chefe da Defesa Civil de Maceió, disse que cerca de 100 unidades habitacionais – entres casas e apartamentos – estão sendo monitoradas há seis meses devido às fissuras. No entanto, ainda não havia sido feita nenhuma evacuação no bairro. Conforme as palavras de Dinário, a burocracia também contribuiu para desacelerar o processo, uma vez que são necessários documentos dos moradores e dos imóveis.

Simulado de evacuação vai parar Maceió

No próximo dia 23 de fevereiro, um sábado, a partir das 15h, uma força-tarefa vai simular uma situação de desastre natural no Pinheiro. Mais de 600 pessoas – inclusive figurantes que farão o papel de moradores – participarão do simulado. Na verdade, essa recomendação foi feita pela própria CPRM, órgão do Ministério das Minas e Energia. Na página de número 5 do relatório consta essa recomendação. No entanto, ainda não se tinha pensado nele. Mas, em uma semana, as autoridades decidiriam de forma célere marcar a data para a realização do simulado.

Na representação, serão apresentadas rotas de fuga, abrigos seguros, “resgates” aéreos e terrestres a “feridos”, atendimento num hospital de campanha que será montado Cepa, entre outros detalhes a serem observados pelos organizadores do simulado. O evento vai parar Maceió.

O objetivo é mostrar aos moradores e aos agentes envolvidos no atendimento à população do Pinheiro o que se pode fazer e deve ser feito para o caso de uma tragédia, como o afundamento de uma grande área no bairro, por exemplo, “engolindo” prédios e casas.

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Cratera gigante misteriosa que surgiu na Bahia está sendo investigada por geólogos (Foto: Reprodução/Internet)

Sobre a cratera de Vera Cruz, no interior da Bahia

Em junho de 2018, uma grande cratera se abriu em Vera Cruz, interior da Bahia. Com quase 50 metros de profundidade, 29 de largura e 69 de comprimento, a cratera fica localizada no meio de uma mata nativa, em propriedade da Dow Química, uma multinacional americana que utiliza a área para realizar a extração da Salmoura, a mesma matéria prima extraída pela Braskem, em Maceió. A única diferença entre o processo de extração entre as empresas é que uma é realizada em área de mata e a outra no meio da cidade. O que pode resultar numa grande tragédia urbana anunciada.

Na época do desastre, a Dow Química iniciou uma série de estudos, mas até agora não conseguiram desvendar o que provocou a cratera, cujo comprimento aumentou de 69 metros para 86 em um período de seis meses.

A empresa afirma que a cratera é um fenômeno geológico conhecido como “vazio subterrâneo” (sinkhole, em inglês), cujas causas ainda não foram esclarecidas. Em setembro do ano passado, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) instaurou inquérito para apurar as causas da abertura da cratera. O MP informou que o objetivo da ação é preservar as vidas das pessoas e proteger o meio ambiente.

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