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PMs da Chacina do Village serão interrogados nesta terça, no Code

Deraldo Francisco / 7:41 - 19/04/2016


A Chacina do Village, ocorrida no último dia 25 de março, no Village Campestre, terá mais um capítulo nesta terça, dia 19. Está marcado para as 8h, no Complexo de Delegacias Especializadas (Code), em Mangabeiras, o depoimento dos três policiais militares que se envolveram numa das abordagens mais violentas da história da PM alagoana.

IRMÃOS

Josenildo e Josivaldo eram acompanhados por equipes da Pestalozzi

Nessa abordagem, morreram três pessoas e dois policiais militares e um mototaxista ficaram feridos. Três mortos e três feridos no que seria apenas uma abordagem para averiguação de uma denúncia de porte ilegal de arma. Aliado a tudo isso vem uma sucessão de “erros”: inexistência da Perícia de Local e do Exame Residuográfico nas mãos das vítimas e o recolhimento das cápsulas expelidas pelas armas automáticas, na suposta troca de tiros. Entre outros.

São acusados nas mortes os três policiais que integram uma guarnição do 5º Batalhão. Os três serão interrogados nesta terça-feira pela comissão de delegados que investigam o caso. Os PMs alegam que reagiram à ação dos irmãos Josenildo e Josivaldo da Silva Ferreira. Os irmãos, que eram acompanhados pela Associação Pestalozzi, passavam por uma rua no Village quando foram abordados pela guarnição. Eles estariam um com uma espingarda, numa bolsa. Os irmãos foram mortos a tiros.

À procura das armas, um dos policiais teria agredido um dos irmãos. O outro, com problemas mentais, teria se descontrolado ao ver o irmão sendo agredido e partiu para a luta corporal com o policial militar. No meio da briga, um integrante da guarnição – um cabo – sacou a pistola e fez os disparos. Os tiros teriam atingido os dois irmãos, um policial militar, o pedreiro Reinaldo da Silva Ferreira, que conversava com um grupo de amigos próximo ao local e um mototaxista, cujo nome está sendo mantido em sigilo pelo Ministério Público. Essa vítima é considerada a principal testemunha desta chacina. Aliás, ela é sobrevivente e sabe de tudo.

Os dois irmãos e o pedreiro morreram a tiros deflagrados por um dos PMs. Da guarnição, apenas um PM atirou e teria descarregado a pistola Ponto 40. Para o Ministério Público, esse policial é acusado nas três mortes e nos outros ferimentos à bala. Ele diz que apenas reagiu. O Ministério Público não tem dúvidas que o policial militar ferido no braço foi vítima do “fogo amigo”. Ou seja, o colega de farda lhe feriu quando atirava nos irmãos Ferreira.

Defesa dos PMs

A defesa dos policiais militares acusados nesta chacina vai utilizar a estratégia da desqualificação das vítimas par justificar a ação. Já foram recolhidas imagens da página dos irmãos numa rede social, inclusive imagens que foram “produzidas” após o caso. Os irmãos estão sendo acusados pela defesa dos PMs de incitarem o ódio, com imagens de palhaços, armas e munições, da Torcida Organizada Comando Vermelho, Vida Loka e de grupos de hip hop. No Ministério Público, essa versão está quase descartada porque já foi identificado que “muitas provas” são montagens.

A Testemunha

Para o Ministério Público, a testemunha é importante para o esclarecimento deste caso porque seu depoimento neutraliza a versão de que o pedreiro Reinaldo Ferreira foi morto por queima de arquivo. Na verdade, o pedreiro teria sido morto com uma bala perdida, mas vinda da pistola do PM que atirou nos irmãos Ferreira. Neste caso, o tiro fatal no peito de Reinaldo foi uma fatalidade. A testemunha conta isso com convicção porque também foi ferida com m tiro na perna. Com medo, não procurou atendimento médico numa unidade oficial de saúde.

O “Informante”

O pivô dessa tragédia teria sido Francisco Basílio da Silva. Ele seria informante da PM e teria sido ele a pessoa que denunciou os irmãos Ferreira de estarem conduzindo duas armas de fogo. Essa versão, inclusive, foi desmentida pela testemunha que ficou ferida no atentado. Ela contou que, em nenhum momento, foi encontrada alguma arma em poder dos irmãos.

Com medo de morrer, Francisco Basílio está pedindo garantias de vida. No entanto, nem mesmo a defesa dos PMs está preservando a sua identidade e já avisou que ele terá que depor. Ele garante que os irmãos estavam armados. O Ministério Público já tomou o depoimento do “informante” e esta providenciando a inclusão dele num programação estadual de proteção à testemunha. Mas, sem esquecer que, existindo de verdade esta versão, teria sido ele o pivô dessa tragédia.


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